1.16.2005

Já lhe ensinaram o que é o limiar da pobreza

Embora ontem não fizesse a mínima ideia do que estava a dizer, hoje Sócrates já aprendeu que o limiar da pobreza é 60% da mediana (que não da média, note-se bem!) dos rendimentos das familias portuguesas.
Agora aproveito para lhe dizer que a mediana é uma medida de tendência central que, neste caso, não traduz absolutamente informação estatística relevante nenhuma, porque ninguém sabe ao certo quanto é que auferem as famílias portuguesas. Não existe tal levantamento em lado nenhum. Apenas sondagens e previsões absolutamente desajustadas da realidade. Basta ver a tabela que publico abaixo. Alguém acredita que o rendimento médio português seja de 645 euros?
Se 75% da população do interior não aufere mais que o ordenado mínimo nacional!...
A mediana apenas indica os valores centrais de entre o leque de salários que efectivamente existem, mas cujos pesos relativos alguém alvitrou.
Eu recordo ao sr eng (meu colega, mas a quem estas coisas da política devem ter feito esquecer alguns conceitos básicos de Estatística) estas medidas de tendência central, ilustrando-as com um exemplo:
Um trab rural aufere, por exemplo, 250 euros de pensão. Um operário, 450 euros; um professor, 1200 euros; um deputado, 2400 euros; um ministro, 4000 euros; o Presidente da República, 5100 euros e um assessor de Paulo Portas, 16.000 euros.
A mediana destes rendimentos é 2400 euros, enquanto a média seria 4200.
Portanto, isso quer dizer que um português ganha 4200 euros - se considerar a média - ou 2400 se considerar a mediana.
Qual das medidas estará correcta?
Nenhuma.
Porque o rendimento médio de um português não ultrapassa os 450 euros, por mais boys que se metam na Função Pública a auferir milhares de euros por mês.
Percebeu?
Ok. Então eu vou repetir...

Sem comentários: