9.15.2013

Análise política #7 - e última antes das eleições


Começa terça feira a campanha eleitoral. 
Por isso esta será a última crónica antes de eleições. 

Neste momento ninguém sabe o que vai acontecer a 29 e isso é já uma vitória para alguém. 

Há 4 meses vaticinava-se o 5-2 para o PS. Depois começou a perceber-se que vai haver uma abstenção nunca vista. As pessoas estão completamente alheadas e desinteressadas da política nacional e - agora também - local. Tirando os militantes de sempre, e outros inventados à última da hora, ninguém quer saber disso para nada. 
Ora esta percepção provoca um nervosismo inusitado na boyzada do regime e uma confiança crecente naqueles que lhes cobiçam o antigo e repetitivo tacho. Porque não é doutra coisa que se trata uma vez que não há dinheiro para nada, como explicamos a seguir. 

Na minha opinião a coisa vai ficar como está. A abstenção é que vai ganhar mais adeptos, pelo que se vê nas ruas e se ouve das pessoas. Mas já se sabe que à última da hora mesmo aqueles que garantem que não porão lá os pés, votarão. E votarão onde sempre votaram. Por isso é que (ainda) acredito que Filipe Camelo ganhe. 

Se fez algo para isso já é discutível. A sua vitória - a verificar-se - pode até ser perniciosa. Será interpretada como um voto de confiança para mais 4 anos. Ora, eu sigo a política desde o 25 de Abril de 74 e sinceramente não me lembro de um período de 4 anos em que se fizesse menos nesta Terra. Nestas condições, um voto de confiança, em quê, exactamente? Só se for CONTRA o seu adversário... já lá vamos. 

É claro que não há dinheiro. É também claro que temos um resgate financeiro às costas para os próximos 25 anos e é ainda mais claro que não se percebe porquê. 
Não se percebe como é que temos o nosso futuro hipotecado - até ao resto das nossas vidas - 25 anos, pelo menos, em que não haverá dinheiro para nada, nesta Terra. 
Serão 5 milhões por ano só para o serviço da dívida e isso é tão incomportável para Seia como toda a dívida portuguesa para Portugal. 
Quem quer que vá para lá, pagará a dívida e pouco mais. 
Mas não posso deixar de notar que o Fernando Ruas deixa 22 milhões nos cofres da CM de Viseu, apesar dos milhões que gastou em equipamentos, avenidas, rotundas, requalificações urbanas e por toda a parte no concelho. 
Não é fácil perceber como é que uma Câmara Municipal como a nossa se endividou desta forma. 

A culpa não é só nem principalmente deste executivo, mas a verdade é que ninguém obriga ninguém a candidatar-se. E se nos candidatamos APENAS para pagar dívida alheia... se calhar vale mais pensarmos noutro projecto de vida. Digo eu... 

Albano acusa este Presidente de falta de liderança. Filipe Camelo delega muito, é verdade. E se calhar nem sempre tem em quem delegar. Mas o problema maior nem é esse. Ao que tudo indica não teremos a oportunidade de ver, mas se porventura Albano ganhasse as eleições, onde pensaria ele ir buscar dinheiro para fazer algo que se veja? Também não é facilmente explicável. 

É certo que há muita coisa que se pode fazer com muito pouco dinheiro ou quase nada. Mas será Albano capaz de desbravar esse caminho? Este executivo - penso ser consensual - não foi. Não foi capaz de imprimir uma dinâmica positiva, uma atractividade turística para Seia, uma visibilidade e notoriedade de grande impacto para Seia e para o seu Concelho. 
E tinha lá projectos para o fazer. Pelo menos para o tentar. Não apostou nessa via. E isso é que foi pior. 

Porque perdemos 4 anos de trabalho na área da promoção da visibilidade e notoriedade para Seia e para o seu concelho. E isso é trabalho da Câmara Municipal. 
Construir hoteis e equipamentos turísticos não é. Agora: conferir visbilidade ao nosso concelho, é. 
E esse é um trabalho que demora tempo. As coisas não dão frutos imediatamente. Pois, mas em 4 anos já teriam dado. E muitos. Assim, partimos da estaca zero. 

Mas nem tudo será mau: sem um certo vereador a distrair o resto do executivo com faits divers ecológicos, pode ser que este novo executivo desça mais à Terra e perceba que a ecologia é muito linda, sim senhor, mas que ninguém vive disso. 
Gastar 100% das energias em ideias e protocolos verdes é deixar o despovoamento fazer o seu caminho inexorável. 
É preciso TURISMO e VISITANTES que deixem cá o cacau. 

Então o inevitável "Toque a reunir" que o PS fará na segunda semana da campanha dever-se-á a quê? 

1 - ao perigo crescente de, mesmo ganhando, com a abstenção superior a 50% que se prevê, se fique com um 3-3-1 em que quem manda é a Margarida CDU 

2 - ao dramatismo e ao "perigo" de in-extremiis se perder o aparelho e o poder no concelho. Há que evitar a todo o custo a perda do poder e portanto há que votar - se não em quem pouco fez - ao menos CONTRA quem quer MUDAR o sistema. 
A mudança mete medo a muita gente. Imagine-se o caos que seria em meia dúzia de acomodados há 30 anos, o serem de repente arredados dos tachos e obrigados a começar a trabalhar... Até pode acabar em ataques cardíacos. 

Mas não os haverá desta vez, ainda. No entanto, se Filipe Camelo pretender continuar neste ritmo de câmara lenta nos próximos 4 anos, temos a certeza que este será o seu último mandato. Dentro do seu partido haverá quem lhe dispute o lugar a partir de 30 de Setembro. 

Até à análise da madrugada do dia 30.

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