2.17.2004

Durão, onde estás? Quem te demora?


Durão, onde estás? Quem te demora?

Durão, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu refluxo em nós não caia?
Porque (triste de nós!) porque não raia
Já na Alto da Ajuda a tua aurora?

Da santa estupidez é vinda a hora
A esta parte da Europa que desmaia.
Oh! Leite... Oh! Portas, que trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Razão: acode ao Cherne, que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, temor disfarça em estudo.

Movam nossos grilhões a tua mão:
Derrama já o Leite, copo e tudo,
Dá um pontapé na Porta, ó Durão!


Manuel Maria Carrilho du Bocage


"d'après" un soneto do quase homónimo Manuel Maria Bocage de Setúbal (enquanto este é um Bárbaro de Guimarães), com aproximadamente o mesmo título. Se substituirmos o palavrão "Durão" (Bocage era brejeiro mas também tinha os seus limites no que se refere a obcenidades... ) pelo doce substantivo inicial: Liberdade.

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