11.22.2003

Enquanto o Hospital é o que está a dar, fecham as poucas fábricas do Concelho

Diz um leitor no PE ONline:
"Por incrivel que pareça, a prestigiada fábrica que tanto trabalho deu e tanto prestigiou Loriga, fechou as suas portas. Uma fábrica onde nunca faltou o trabalho, onde as encomendas nunca faltaram e...pura e simplesmente fechou, sem razão aparente, simplesmente porque lhe apeteceu. Mas antes, antes do seu encerramento foi chupada até ao tutano dos ossos, até não haver matéria prima. Porquê?
Porquê ninguém denunciou, porquê a Câmara e Junta nada fizeram, porquê o Porta da Estrela não diz e não disse nada? Nem uma minúscula linha no seu jornal. Será que isto é menos importante que um acidente com uma ambulância de Loriga? Fica aqui a questão".


Não. Não é menos importante. É, de facto muito mais.
Tanto que um responsável ameaçou telefónicamente o repórter Fernando Paninho de lhe dar um tiro nos cornos, se ele publicasse alguma coisa sobre o esperado encerramento da empresa, no PE.
Não publicou, mas não porque tivesse medo.
Porque não lhe foi dada autorização. Porque se pensou que essa notícia poderia prejudicar a empresa e os seus trabalhadores.
O PE conteve-se para proteger a empresa que afinal acabou por encerrar na mesma.
Até os delegados sindicais, contactados pelo repórter, se mostraram muito admirados e perfeitamente desconhecedores do que se estava a passar... Parece qualquer coisa de irreal, mas foi assim.

Seia está a passar pela mesma loucura colectiva dos EUA depois do 11 de Setembro, ou da Espanha, depois do Prestige.
Agora e subitamente é só o Hospital que está a dar.
Basta ver-se o exagero (bem intencionado, mas ainda assim uma clara falta de critério editorial) do Porta da Estrela desta semana, para se perceber que, de repente, uma só notícia existe em Seia: o novo Hospital.
O Presidente da Câmara ameaça demitir-se, enquanto aconselha os vereadores seus adversários a não o fazerem (!) por causa do Hospital.
Não há de facto fome que não dê em fartura... O Hospital é necessário há décadas. Não é de hoje. Não nos deixemos entorpecer nem embalar por histórias subitamente descobertas, como se da pólvora se tratasse.
Há empresas a fechar todos os dias. Desemprego a subir, as condições dos portugueses e dos munícipes estão aceleradamente a degradar-se.
E tem que se resolver o problema do Hospital esta semana?
Então não podia ter sido na anterior? Enquanto andava tudo atrás do Pacheco Pereira, quais cachorrinhos atrás do dono?
Agora que já não há assunto em Seia, é que o Hospital tem que fechar?
Tenhamos juízo e contenção nos nossos actos.
A demagogia, como tudo, tem limites.
E a História (não confundir com as Jornadas Históricas) está aí para não perdoar.

11.21.2003

O problema (da falta) do Ensino II

A Justiça, a disciplina, o rigor

A primeira coisa que um aluno faz, no início de cada ano, é testar cada professor.
Descobrir-lhe os tiques, os pontos fracos, as hesitações, as imprecisões.
Acompanhei o meu filho, no primeiro dia de aulas à  sua escola (que não é a minha) e fiquei simplesmente aterrado com o que vi.
Logo na apresentação, os alunos faziam o que queriam. Riam, brincavam, conversavam virados para trás, não ligando a mínima a dois pobres professores que para ali estavam a falar para ninguém, como se estivesse tudo normal.
E estavam lá adultos! Eu e mais 3 pais.
Incrível!
Assim, não há hipóteses.
É claro que apanham logo alcunhas, é claro que nunca mais têm o respeito dos alunos.
Mas isto é a maioria, pelos vistos.
A disciplina, em ambiente de serenidade e sem constrangimentos, é absolutamente necessária para se transmitir seja o que for a um aluno, e para se poder trabalhar com ele.
Agora, a disciplina não pressupõe berros constantes, gritos, ameaças, num pseudo clima de terror.
Isso é para rir, nos dias que correm.
Há dias, durante um teste que estava a dar a uma turma do 7º ano, eu e os meus alunos tivemos que ouvir uma aula inteirinha de uma colega que começou aos berros do princípio da aula até ao fim.
É completamente absurdo que se possam dar aulas nestas condições. É também inacreditável o aparelho vocal da colega que, ao que me informaram, faz isto há anos.

Mas então: acham que é aos gritos que se transmite conhecimento?

E necessária e urgente uma mudança filosófica relativamente às exposições tradicionais.
Eu defendo, por exemplo, que todas as aulas deviam ser abertas à  comunidade escolar, que devia ser obrigatório o registo em audio e vídeo de cada aula de cada professor.
E que o visionamento das aulas devia ser aberto ao público, sempre que tal fosse solicitado por pais ou educadores.
Apenas essa medida isolada melhoraria a qualidade do ensino em 100%.
É preciso transparência. O mais possível.
E transformar a Escola, que hoje é mais um local que os alunos têm que frequentar por obrigação e por isso transformam o mais possível em àrea de lazer, numa "fábrica" de investigação; numa instituição onde, de facto, se ensine e se aprenda mesmo.

11.20.2003

Eduardo Brito no seu melhor...

Tenreiro Patrocínio e Fernado Béco, os 2 vereadores do PSD da CM Seia ponderavam demitir-se em protesto contra a indefinição do governo sobre o Hospital de Seia.
Quando pensariam que esta sua inédita atitude seria da mais subida importância e chamaria de imediato a atenção do governo para esta problemática, Eduardo Brito apressou-se a desiludi-los: que não valeria a pena demitirem-se porque «o ministro não liga nenhuma ao PSD de Seia».

Ora bolas... então mas isso diz-se aos senhores?
Ai, ai, ...

O problema (da falta) do Ensino

Vamos lá a esclarecer este triste e arrastado problema do Ensino em Portugal e sobretudo no Portugal profundo - o Interior Beirão - a minha zona
Clarifiquemos a minha posiçãoo sobre este assunto que, aliás, é pública há mais de 12 anos (sendo que sou professor há cerca de dezasseis). Por todo o lado tenho escrito o que penso e não será uma sociedade de medrosos (podem trocar as consoantes da segunda sílaba, que o resultado é o mesmo) que me fará ser igual a eles. Nunca o fui. Sempre disse o que tenho a dizer, e neste caso fruto de profunda reflexão e prática profissional de mais de década e meia.
É evidente que a culpa de termos a pior escolaridade da Europa - de termos o maior abandono escolar da Europa e de termos os alunos mais incultos da Europa - não é só dos professores.
Mas é, na sua maior parte, deles.

É que se não percebemos isto, temos então que concluir pela alternativa: que temos os alunos mais broncos da Europa porque são os mais atrasados mentais da Europa, já que o que se estuda aqui é praticamente o mesmo que se estuda em todo o lado.

Falemos na Matemática: um "papão" a nível do 12º ano.
A minha escola tem índices de aprovação, há pelo menos 4 anos, da ordem dos 70%.
No secundário, essa média não ultrapassa os 40% e no 12º não chega sequer aos 30%.
E não se tem podido ir muito mais além, na minha escola, porque os mesmos alunos que atingem 70%, 80% e até mais nos testes, simplesmente não entendem o que se pretende num problema vulgar.

Eles lêem, mas não percebem o que se pergunta.
Se lhes explicarmos o que se pretende, IMEDIATAMENTE RESPONDEM ACERTADAMENTE.
Ora, o mesmo (eu sei) se passa às demais disciplinas.
Eu peço aos meus alunos que leiam os enunciados e, em cada turma do 9º ano, não há mais do que 3 ou 4 cuja leitura seja aceitável. E mesmo desses, uma parte (cerca de metade) não percebeu exactamente o que leu.
A forma perfeitamente balbuciante como os alunos que saem com a escolaridade obrigatória lêem um pequeno excerto de um texto, indica, claramente, a falta de hábitos, a falta de treino de leitura.
Há alunos que praticamente só lêem o que o professor lhes manda ler, na aula.
Ora isso é manifestamente insuficiente.
Possuimos, os portugueses, um património de valor inestimável: a nossa Língua, que nada tem a ver, hoje, com a imediatamente associável "lí­ngua de Camões" (trata-se de mais uma triste demagogia) e já pouco, mesmo muito pouco com a de Eça.
Aquele estilo é impensável usar-se, como é impensável dizerem-se aquelas coisas daquela forma, hoje em dia.
Mas o património linguístico que hoje temos é o resultado da evolução natural de Camões e de Eça, como da maioria dos grandes escritores portugueses e até da oralidade do vulgar cidadão da rua (não estou a falar do execrável bués, e do K substituindo o Q, como é evidente. Ainda não cheguei a esse nível.)

A primeira coisa que um estudante de qualquer assunto tem que fazer é TRABALHAR.
Uns precisam de mais; outros, mais dotados, que assimilam as regras e os mecanismos com mais facilidade, de menos trabalho. Mas todos precisam de trabalhar.
Ora isso é coisa que não se faz, no ensino básico.
Os professores demitiram-se da obrigatoriedade do controle do estudo, por parte dos alunos.
Mandam-nos estudar, apenas. Nada mais.
Eles, claro, não pegam num livro. E está tudo bem, porque no final, mesmo quase não sabendo ler, os alunos fazem o 9º ano.
Esse é o primeiro Crime que está a ser perpetrado no Ensino.
Por negligência, é certo, mas igualmente um Crime.

Se o aluno não estuda, não pode saber, não pode dominar os assuntos que estão na agenda - currículum - e portanto se o professor o passa de ano sem ele ter os conhecimentos que lhe permitam alicerçar os seguintes, o professor está a ser cúmplice de um logro.
Um logro para o aluno, que "passa", e por isso se convence que sabe; um logro para a escola, que aprovando o aluno está ciente de que o aluno tinha condições para passar; e, o pior de tudo: um logro ao paí­s que paga o ordenado ao professor, na convicção de que este consegue transmitir os conhecimentos, perí­cias e capacidades requeridas pelo sistema de ensino em vigor, o que é, obviamente, mentira.

É por verificar que o professor médio hoje em dia não se preocupa suficientemente com a evolução dos seus alunos que eu sustento que é sua a maior parte dessa culpa.
Não porque não saiba ensinar, não por não ser competente em identificar as matérias mais importantes em cada ní­vel de ensino. Não é por nada disso.
É apenas porque não acompanha suficientemente o aluno, porque não identifica as dificuldades em cada caso, porque não tenta descobrir a forma de ultrapassar esses obstáculos que já vêm, muitas vezes de trás, preferindo descarregar sistematicamente a velha frase de "este aluno nunca percebeu nada disto, não tem pré-requisitos, nunca se interessou por isto".
Estamos todos fartos de ouvir estas "desculpas" que, pretendendo desculpabilizar o professor, mais o penalizam por revelarem a sua incapacidade em resolver os problemas para os quais foi contratado e que consubstanciam o seu vencimento ao fim do mês.

Vivemos numa pequena cidade do interior, com alunos oriundos da mais funda e insuspeitada ruralidade.
Mas temos uma escola equipada com tudo o que é necessário para ultrapassar essa insuficiência.
E temos 5 anos de contacto com os alunos. Mais do que o tempo que eles passaram nas escolas do 1º ciclo (vulgo Primária).
Temos uma biblioteca recheada com todo o tipo de livros sobre todos os temas que se possam imaginar. Temos vídeos didáticos, jogos interactivos em cd, internet a qualquer momento. Meios bastante diversificados que muito ajudariam, se utilizados, a consolidar aquilo a que vulgarmente se chama de "cultura geral" - expressão ingrata, mas que identifica todo um conjunto de saberes basilares sem os quais é comunmente aceite que não estaremos a formar pessoas, mas simples autómatos.

Não temos desculpa se, no 9º ano, depois de 5 anos, pelo menos, de trabalho com um aluno, ainda temos o desplante de desabafar que "eles já vêm assim da primária".
Haja um pouco mais de vergonha, ou pelo menos de contenção.


Interactividade positiva
Exemplifico aquilo a que eu chamo de interactividade positiva: ao resolver um problema de proporcionalidade inversa (matemática), sobre o tempo de construção das pirâmides do Egipto, pode aproveitar-se para se falar nas próprias pirâmides em vez de elas servirem apenas como mero pretexto para se fazerem umas contas mais ou menos chatas, a seguir. Porque foram construídas, quando o foram e quantos milhares de toneladas de pedra foram necessários para a sua construção. Se os funcionários eram ou não escravos e, se não eram, se de facto eram voluntários, a troco de quê trabalhavam toda a sua vida nessas obras.
De onde veio toda aquela pedra, por que meio de transporte e como foi possível colocá-las em sobreposição dado que, há milhares de anos, não havia gruas.

Posso garantir que este sistema interactivo funciona às mil maravilhas.
Os alunos interessam-se pelo assunto, o que representa 80% do caminho andado.
Depois é só "obrigá-los" a trabalhar, através da descoberta, da pesquisa, para chegarem às conclusões sobre as possíveis respostas às questões formuladas.

Ora isto é exactamente o contrário do que hoje se faz:
Fazem-se-lhes as perguntas do livro e dão-se-lhes praticamente as respostas implicitamente, e por isso eles não têm a curiosidade natural de descobrir.
Desinteressam-se porque não há mistério, não há a emoção na descoberta. Não há, no fundo, nada que os desperte para o trabalho de procurar descobrir, sempre o caminho mais fácil e eficaz para o Saber.
E também para quê, afinal? Se, ainda por cima, sem nenhum trabalho sempre vão passando...

Quando os professores reganharem o gosto por ensinar e começarem a ver os resultados, tenho a certeza absoluta que o ensino melhorará, e deixaremos de ter a vergonha que é verificar que os alunos que nós damos como aptos para a prossecução dos estudos, raramente chegam mais além.

Essa é a principal vergonha para todos nós.
Afinal, nós não somos pagos para distribuir diplomas de escolaridade mínima admissível a quem permanecerá, para sempre, analfabeto funcional.

Ó senhor Engenheiro, não bata mais nos professores...

De uma amiga minha, professora de português numa escola secundária, a terminar o mestrado em Linguística (acho que é isso...) recebi o seguinte texto delicioso que passo a transcrever, e que prova inequivocamente que os professores não são todos ex-alunos medíocres que não conseguiram arranjar emprego em mais lado nenhum.
Ainda os há por vocação.
Sei que ninguém acredita nisso, mas eu até sei que há.
Poucos, é certo. Mas há.

"Ó senhor Engenheiro, não bata mais nos professores...(sobretudo nos de Português)!
Até parece que não está a dizer uma grande verdade!
O que interessa o "psicologismo" de um António Sérgio, a "metafísica" de um Antero de Quental ou ainda, para piorar, a "magalomania" desconcertante de um Mário de Sá-Carneiro ("não...não é o de Camarate", alerta feito na sala dos professores!) ou de um Almada Negreiros? Isso é muito profundo e tem pouco de sentimental!...
Nos tempos que correm, o que está a dar é conhecer a obra de uma tal de Margarida Rebelo Pinto e da Ritinha( Ferro)! Só literatura "light"! Fácil de digerir e não engorda! É que depois não há tempo para ir tratar da cabeleira ou de ir assistir às Jornadas ...Ah...Ah...
Pergunte às suas colegas de Português (as das cabeleiras intocáveis) quem escreveu o "Sei Lá!" , que vai ter uma surpresa!"


Quer-se dizer:
Nem eu seria tão radical...

Selecção sub 21 exige indeminização aos franceses

A nossa selecção vai exigir 2,5 milhões de euros à Liga Francesa a título de indemnização, pelo facto de o tecto dos balneários que lhe foram atribuídos ser "perigosamente baixo".
De facto, parece ter sido uma sorte que apenas 32 daquelas ameaçadoras placas tivessem caído em consequência de um simples contacto com partes do corpo não especificadas de alguns dirigentes.
- "Nem era peciso amandarmos o mistere ao are, catano. Assim que ele ali entrou começou logo tudo a caire..." confidenciou ao nosso blog o guarda redes Moreira, um exemplo, segundo o ministro, para a nossa juventude.
Esperamos a reacção da França, mas já se terá ouvido da parte de um dirigente francês o seguinte desabafo: "se soubéssemos que eram os portugueses que vinham para este balneário, tinhamos mandado reforçar o tecto com placas de inox. O aço risca, mas não fura.

Futebol!! Futebol!! GNR!! Futebol!!

Há uma caixinha agora à venda que permite ver 4 jogos em simultâneo - 4!
Só?? - Pergunto eu.
Então e se quisermos ver 12? Perdemos 8!
Aquilo que a tecnologia ainda tem que evoluir...
A GNR lá está, lá continua, como o menino Jesus: A preparar-se para se preparar para iniciar os preparativos para a primeira patrulha. Tenho a impressão que vai dar em directo a primeira patrulha da GNR em Nassirya (o y agora é no 2º i).
A não perder!!
Mãos atrás das costas, aos pares, 2 de cada lado da estrada, aí vão eles, a patrulhar.
De onde vem a analogia com o Menino Jesus? - Pergunta o leitor.

É que o Menino também lá está, há 2000 anos, nas palhas deitado, nas palhas estendido... não faz outra vida, o Menino Jesus.

De Casa Pia... ainda nada!
Já lá vão 5 dias. Aposto ainda em mais 3 ou 4 até à primeira patrulha. Depois são mais 5 dias de todos os canais a bombardearem-nos com a primeira patrulha, de modo que antes do fim do mês a Casa Pia não volta.
Até Dezembro, Carlos Cruz.

11.19.2003

Política bombeiral

A federação da Guarda dos Bombeiros de não sei de quê demitiu-se porque alguém dos BV de Seia fez um dirigente qualquer daqueles que se deslocam sempre em jeeps novinhos sentir-se mal.
Demitiu-se o presidente dessa federação.
Isto é suposto ser notícia.
Veio no Público.

Comandante dos BV Seia "parte a louça" toda

O comandante dos BV de Seia, Virgílio Borges, deu uma entrevista à RTP denunciando que o Hospital de Seia não tem condições para receber ambulâncias nem tem plano de segurança interno.
Nada que não se soubesse há anos.
Se chegarem 2 ambulâncias simultaneamente, é o cabo dos trabalhos.
Quanto ao plano de segurança, não sou entendido na matéria, mas se ele o diz...
Recordemos que o mesmo comandante denunciou, em Agosto, que a Fiagris também não tinha plano de segurança e esteve-se tudo a marimbar para isso. Ninguém mexeu uma palha nem se importou com isso.
Enfim, esperemos que, com o tempo, Seia fique cada vez menos provinciana e entenda que não são só os bares que têm que cumprir a lei.
As Feiras e os Hospitais também.

Descuido ou analfabetismo funcional?

Era preciso saber se os professores do ensino básico, os mesmos que se queixam diariamente de que os seus alunos não têm grande sucesso porque não dominam a Lí­ngua Portuguesa, - apesar de terem nisso também responsabilidade há 3, 4 ou 5 anos - dominam eles próprios a mais artística língua do Mundo.
Percebi, há anos, que a maioria deles não conhece a obra de Mário de Sá Carneiro nem de Bocage, ou de João de Deus.
Conhecem alguma coisa de Fernando Pessoa e Camões.
Menos mal.
Há dias escrevi um texto em que dizia que às Jornadas Históricas em Seia assistiam sempre os mesmos: reformados, ociosos e professores.

Então não é que os professores pensaram que os estava a chamar de ociosos?
Incrível!!!
Descuido de leitura, ou reflexo condicionado?
Podiam também ter-se confundido com reformados se fosse apenas um mero descuido.
Mas não.
Foi só com ociosos.
Porque será?


11.18.2003

Que é que interessa lá o PIB? Vivá bola!!!

Barroso continua com ele virado para a lua.
No seu pior dia de há muitos meses a esta parte (se calhar desde que é primeiro ministro), em que o Banco de Portugal lhe apresenta o relatório mais negro de que há memória, não é que o figurão havia de ser salvo pelo fatabol!!!!
Está tudo inventado.
É por isso que isto não passa da cepa torta.
Quando começamos a cair em nós, há logo uma festarola que nos devolve ao limbo...
Que se lixe o PIB.
Vivá bola!!!! We are the cham-pions, má frééénd....

Graças a Deus somos os maiores a fugir ao fisco

"O Banco de Portugal reviu hoje em baixa as previsões macroeconómicas para 2003. O Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a riqueza produzida em Portugal num ano inteiro deverá cair em média 1,1 por cento este ano. Isto significa que Portugal é o país da Zona Euro com a maior retracção do crescimento económico".

Quem ler este período até pode pensar que ele quer dizer alguma coisa.
Nada mais falso.
Essa do 1,1 deve ser para rir. Quem sabe lá o que é o PIB real em Portugal, se a economia paralela è a que evita que as famílias estejam já neste momento a passar fome e portanto é aquela que segura, de facto, este país?

Quem é que mede o PIB da economia por debaixo da mesa?
Queriam eles que o povo pagasse impostos... se as pessoas todas pagassem os impostos de lei, morria tudo de fome e de doença no mesmo ano e era o maior cataclismo social do país.
Assaltos, criminalidade, tudo seria válido para se levar pão para casa, como na América latina, de vez em quando.
Isto por cá não funciona como na Europa. Portugal, se funciona, é quase como o Brasil.
Isto não é, de facto, um país na total acepção da palavra. Basta olhar para a Justiça que temos para percebermos que não se trata de um verdadeiro Estado sério, muito menos de Direito.

Tal como o Brasil, Portugal é mais um feudo, um condado, onde de facto existem leis e regulamentos para tudo, mas que ninguém leva a sério e ninguém acaba por cumprir, a começar pelo próprio Estado.

Portugal vive a uma velocidade dessincronizada, como diria o grande António Silva.
Vive a metade da velocidade da Europa e ao dobro da de África, o que desregula completamente qualquer sistema económico vigente que se lhe queira aplicar.

A economia capitalista voraz é demasiado austera para nós. Não nos damos com ela. Não imaginamos trabalhar 8 horas diárias com afinco, sem meia dúzia de intervalos para o café e meia de treta, que nos rouba todo o ritmo.
Por outro lado, a economia Africana ou mesmo a Brasileira são demasiado lentas para nós.
Os tipos ainda conseguem ser mais sornas no pouco que fazem e de preferência não fazem mesmo nenhum, pelo que esse modelo também não se adapta ao nosso ritmo de vida, que sempre vamos fazendo qualquer coisinha de vez em quando.
Conclusão: está por inventar um modelo para Portugal. Por isso nada dá certo. Nem os que se importam do Norte, nem os da América, da Suissa ou mesmo da Espanha.
Aqui nada disso funciona. Só o nosso, que ainda não foi inventado, funcionará, um dia.
Até lá, continuamos a contra-tempo com os demais países e cada vez mais longe deles, marcando inequivocamente o nosso território peculiar, "suis-géneris", muito nosso.

O que ainda salva isto é exactamente o facto de os pequenos e médios comércios e indústrias fugirem do fisco à força toda.Se pagassem os impostos devidos, o Estado desatava logo a construir mais estádios e a comprar mais submarinos.Assim, o dinheiro, por mais mal aplicado que seja, é sempre melhor empregue.

Compra-se uma vivenda, com a fuga ao fisco, mas paga-se o IVA dos materiais de construção e dá-se emprego ao empreiteiro, e aos seus homens.
No fim, distribuiu-se o bolo pelos carpinteiros, pelos estucadores, pelos pedreiros, pelos electricistas, pelos decoradores, pelos jardineiros e tudo com o dinheiro da fuga ao fisco.
Há lá dinheiro mais bem empregue?

E mesmo quando se "estraga" papel e se compra um Ferrari, mesmo aí é sempre muito mais justo do que se se entregasse a guita directamente ao fisco.
O Ferrari paga imposto de luxo, paga IVA, paga IVA sobre o IA (só em Portugal), cada pneu paga todos os impostos e a gasolina também e mais as portagens e mais o sêlo e o seguro.
Não tenham dúvidas:
Tudo é preferível do que esbanjar milhões em submarinos e carros de combate para a GNR no Iraque não andar a pé, e que ainda por cima vai todo lá para fora, direitinho como um fuso.

Rigorosamente tudo.

Se dúvidas houvesse... as explicações à Bush tiraram-nas logo.

Os homens raptaram Raleiras e pediram um resgate de 50 mil dólares pela sua libertação.
Foi dada a morada, o nome e o número de telefone de quem devia receber a maquia (ver texto abaixo).
Raleiras foi libertado horas depois de essas informações serem do domínio público.
O indivíduo que receberia a massa não foi preso nem ninguém andou atrás dele.
Portanto, não há dúvida que não houve resgate... nem que hoje é sexta-feira.
Quanto às câmeras da SiC (7.500 contos cada), mais os betacams digitais portáteis (outro tanto, pelo menos), o rádio telefone, o Jeep, etc, tudo o vento levou.
Paga o seguro (no Iraque em cenário de guerra???)... ou o Balsemão.
Não?
E o avião, para a Maria João?

RE: Ociosidade ou valorização do conhecimento?

Comento esta frase do António que é a única que pretende defender o que é, na minha opinião, absolutamente indefensável e perigosamente demagógico:

Caracterizar de ociosos os indivíduos que organizam o seu horário para assistir a conferências é desvalorizar o comportamento do indivíduo que valoriza o conhecimento.

Atendendo a que toda a gente percebe que nem 1% das pessoas em Seia tiveram possibilidade de organizar o seu horário para assitir a conferências de 3 dias úteis seguidos em horário laboral, até fico constrangido em responder a esta frase.
Acho que nem é preciso.
Clarifiquemos - embora não me pareça necessário - que se as jornadas fossem restritas, tipo "Simpósium sobre as novas formas de combate do HIV", para médicos especialistas, ou "A nova regulamentação das injunções", para solicitadores, este horário normal seria perfeitamente lógico.
Tratar-se-ia de horário laboral para audiências seleccionadas e profissionais (vulgo acções de formação), para as quais todos os profissionais têm dispensa e autorização superior, sem perda de regalias, para frequentar.
Ganham, inclusivamente, currículum e eventualmente créditos para subir nas suas carreiras.
Agora, jornadas históricas ABERTAS À POPULAÇÃO???

Então mas o electricista, o canalizador, o pedreiro, o operário, os funcionários de empresas privadas, enfim: aqueles que efectivamente PRODUZEM aquilo que estas jornadas naturalmente gastam, alguma vez podem, por muito que queiram, assistir???
Por amor de Deus!!!!
Haja um mínimo de decência!!!

Ociosidade ou valorização do conhecimento?

Um dos problemas inerentes ao desenvolvimento das indústrias culturais é a colocação tendenciosa mas já dogmática dos "eventos culturais" no campo do lazer. É também uma característica da sociedade portuguesa que ainda hoje tem os denominados "produtores culturais", especialmente os artistas e os académicos, como grupos não produtivos. Se bem que no que se refere aos académicos ligados às actividades industriais (que não a cultural) essa atitude seja naturalmente dissipada devido à afectação directa no PIB da actividade industrial, o que se verifica é a incapacidade generalizada em ultrapassar as associações simples entre produção e trabalho, recepção e lazer.
Considerar que as Jornadas Históricas se destinam aos ociosos é supor a sua inutilidade no sentido em que o evento é incapaz de propiciar a difusão do conhecimento produzido pelos especialistas.
Caracterizar de ociosos os indivíduos que organizam o seu horário para assistir a conferências é desvalorizar o comportamento do indivíduo que valoriza o conhecimento.
Eventos deste tipo são, como todos os outros, para quem tem possibilidade e manifesta vontade em comparecer, pelo que quer a contribuição dos promotores, dos conferencistas quer dos restantes participantes, enquanto auditores, deve ser considerada como trabalho e não como ócio.
A calendarização do evento não é suficiente para adjectivar os participantes de ociosos, isto é, de mandriões, improdutivos, preguiçosos, vagabundos, desocupados e folgazões.
António Tilly

Macarrão! Eles comem macarrão!

Os garbosos GNRs estão no Iraque virados a Bossorá.
Eu explico: quem vai para Nassirya, vira à esquerda no cruzamento onde está o tanque americano incendiado, passa pelos 2 ingleses decapitados e vira depois à direita onde Bush nunca pôs os cotos.

Ali os portugueses comem macarrão dia e noite, segundo os breaking news da TSF.
Estão a comê-lo desde as 2 da tarde, portanto a esta hora já devem estar na sobremesa, que será pizza, ou pasta ou a puta que os pariu.
Sobre a marca da graxa para as botas, Durão Barroso recusa pronunciar-se.
"É um assunto abrangido por segredo de estado.
Não vão os infiéis descobri-la e libertar uma arma química para aniquilar o brilho - seria uma baixa moralmente irrecuperável nas hostes lusas".

Amanhã, por esta hora, já os GNRs devem ter acabado de comer macarrão, segundo a TSF, e talvez já possam fazer alguma coisinha.
Esperemos para saber, logo de manhã, como correu a digestão do macarrão e o que vão comer ao pequeno almoço.

Entretanto, como estava previsto, não se passou nada no processo Casa Pia.

11.17.2003

Raleiras e Maria João "arrasam" Casa Pia

Desde há 3 dias que da Casa Pia... nem pio!
Categoria!
Nem parece Portugal.
Para todos os que, como eu, já se tinham resignado à evidencia da inesgotabilidade do assunto Casapiano e se tinham convencido que ele iria fazer as aberturas dos telejornais até ao fim da civilização, foi um rude golpe.
Já íamos na 11ª sequela - Ferro Rodrigues contra ataca - e, de repente, quando tudo corria bem e nos preparávamos para a 12ª, zás! Os episódios foram interrompidos.
Notícias únicas: a GNR que está no Iraque e ainda não começou a trabalhar, e os abençoados repórteres de guerra amadores.
Vejamos o breaking news da RTP Online: Os militares da GNR e os jornalistas portugueses no Iraque preparavam-se às 11:00 locais (08:00 em Lisboa) para partir para Nassiryah, onde está sedeado o comando italiano, afirmou à agência Lusa o enviado da RTP, Armando Seixas Ferreira.
Como vêem foi necessário ao jornalista da RTP revelar as fontes (LUSA) para credibilizar a notícia proveniente de um colega seu (RTP), dada a sua importância e o choque que poderia causar às populações (chamado alarme social).
Está safo. Continua a fazer-se notícia da sua pura inexistência, continua a haver assunto sem assunto rigorosamente nenhum mas vai-se desenjoando um bocadinho do Bibi, a estrela nacional do princípio do 3º milénio..

A maior confusão será instalada, no entanto, nas redacções daqui a 3 dias.
Depois de sabermos exactamente quantos pontos levou a Maria João e com que tipo de linha; o que toma ao pequeno almoço e a que horas vai à casa de banho; depois de vermos bem todos os raspões das balas nas malas do Raleiras e o ouvirmos repetir 4 mil vezes que lhe roubaram as calças e que aquelas calças não são dele, devem ser da Maria João; depois da Maria João desmentir formalmente ou confirmar que aquelas calças são efectivamente suas; depois das inevitáveis visitas guiadas a casa de cada um, onde o primeiro mostrará a sua colecção de calças e a segunda revelará o marido e os bibelots, teremos que forçosamente voltar... à Casa Pia?
Bom, mas pelo menos valeu a folga.
Obrigado, por isso, aos jornalistas.

11.16.2003

O Ensino da Matemática

Leia até ao fim, que vale bem a pena...
Aqui se prova que a dificuldade dos alunos a matemática não é a matemática ela própria....

Ensino nos anos 40/50
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00.
As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda.
Qual foi o seu lucro?

Ensino Tradicional - Anos 60
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00.
As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda, ou seja,
foram de 80$00. Qual foi o seu lucro?

Ensino Moderno - Anos 80
Um camponês troca um conjunto B de batatas por um conjunto M de moedas. O cardinal do conjunto M é de 100 e cada elemento de M vale 1$00.
Desenha o diagrama de Venn do conjunto M com 100 pontos que representam os elementos desse conjunto.
O conjunto C dos custos de produção tem menos 20 elementos do que o conjunto M.
Representa C como sub-conjunto de M e escreve a vermelho o cardinal do conjunto L do lucro.

Ensino Renovado - 1990
Um agricultor vendeu um saco de batatas por 100$00. Os custos de produção
elevam-se a 80$00 e o lucro é de 20$00.
Trabalho a realizar:
Sublinha a palavra "batatas" e discute-a com o colega de carteira.

Ensino Reformado - 2001
Um kampunes reçebeu um çubssídio de 50 euros para purdusir bué de çacos de
batatas o qual vendeo por 100 euros e gastou 80 euros.
Analiza o texto do iserçício, converte euros em escudos e em ceguida dis o que penças desta maneira de henriquesser.


Este é um texto que circula na net.
Aproveitei-o para sublinhar a minha profunda convicção que tenho exposto até à exaustão em todas as reuniões e conselhos de turma: que o único problema dos alunos a matemática e às restantes disciplinas é apenas o não fazerem uma pequena ideia dos mecanismos a que obedece a Língua Portuguesa.

11.15.2003

HOSPITAL DE SEIA

O Executivo da Comissão Concelhia de Seia do PCP acaba de difundir a seguinte mensagem, que podem encontrar no fórum do PE, a propósito de mais uma promessa não cumprida do sr Ministro da Saúde - a da visita anunciada ao velho Hospital de Seia, intitulada

HOSPITAL DE SEIA
Uma Grande Falta de Vergonha


Bem: Não há dúvida que esta guerra do Hospital de Seia é antiga. Uns acusam os outros, na prova mais que provada que todos tiveram culpa no cartório.
Uns mais do que outros?
E o que é que isso interessa, agora?
Houve incapacidade de criar um "lobby" de pressão cuja voz chegasse a Lisboa.
Que chegasse mesmo à Guarda, pelos vistos.
Mas aqui ninguém se pode pôr de fora, apontando o dedo a outrem.
O PS fez pouco, no tempo de Guterres, mas esta pretensão já é anterior, já vem desde o tempo de Cavaco, ou estamos esquecidos?
Portanto: o PSD de Seia não o conseguiu, o PS também não (quando podiam), e agora, com um governo adverso e sendo esta a única Câmara PS no distrito - tirando a da Guarda - mal se compreende que Eduardo Brito consiga, em ambiente hostil, o que ninguém conseguiu aquando "em família".
Resta o consolo de verificar que o homem, ao contrário do que muitos o acusam, não se cala...

Pode ser que os vença pelo cansaço.

Requintes de malvadez...

Os calceteiros que andaram toda a semana a mudar os paralelos daquela ruela ridícula que liga o Borges à fonte das 4 bicas (Dr António Mello Senna Motta Veiga?- este nome é maior que a rua...), e por causa dessas obras esteve a mesma fechada ao trânsito durante 1 - semana - 1, conseguiram deixar ficar um triangulozito de não mais que meio metro quadrado, mesmo ao centro, por calcetar, com as pedras alinhadinhas ao lado... tipo Lego para miúdos de 3 anos.
Hoje foi Sábado e amanhã é Domingo e a rua continuará interrompida até segunda-feira à hora de almoço, na melhor das previsões...
Agora: ninguém acredita no trânsito que aquela quelha tem, de manhã e ao fim de almoço.
Durante o resto do dia também não há 15 segundos que não passe ali um carro.
Todo este trânsito - milhares de carros durante uma semana inteira - esteve a engrossar a única alternativa a quem ali passava: Largo Marques da Silva, Tribunal e Praça da República.
Mais de 1 km de bichas permanentes, porque a quelha de 50 metros não conseguiu ser calcetada em ... uma semana inteira!

É obra!!!

A Serra está mais perto do Alentejo do que se poderia, à primeira vista, supor.

Entrada de Amandio Melo actualizada

As notas biográficas sobre Amandio Melo foram actualizadas (com uma foto dele a cumprimentar Álvaro Cunhal).
Logo a seguir, várias fotos inéditas (ou quase) da infância e juventude de Álvaro Cunhal.

Vale a pena ver



Paulo Portas e Nossa Senhora

Eu acho que Portugal, na crise do Prestige,
foi ajudado por decisões firmes e foi muito ajudado por aquilo que eu, que sou crente, acho que foi uma intervenção de Nossa Senhora.

Paulo Portas

Sabendo que foi a Galiza a grande vítima do derramamento do crude do navio Prestige, somos levado a concluir que os galegos, em vez de culparem as suas autoridades pela inépcia na prevenção da catástrofe, deveriam antes apontar o dedo ao seu Santo protector, Santiago de Compostela, por não ter conseguido combater as forças de N. Senhora.

Assim, aproveitando esta cinergia, talvez fosse bom que quem nos governa se lembrasse de pedir uma ajudinha as estes poderes sobrenaturais para que póssamos (como diz a TVI) superar a crise instalada.
Ainda por cima esta ajuda, que é eficaz e gratuita, dispensaria com vantagem a existência de tantos assessores, normalmente bastante mal pagos, que enxameiam os gabinetes de Ministros e Secretários de Estado.

Aqui deixo algumas sugestões:

Para assessorar o Ministro Bagão Félix, no apoio ao cada vez maior número de desempregados, a convocação da Nossa Senhora dos Aflitos.
Para consolar os contribuintes que não conseguem fugir aos impostos da Ministra Ferreira Leite, a contribuição da Nossa Senhora das Lágrimas.
Para trabalhar com o Ministro da Saúde no que diz respeito aos doentes em lista de espera, a Nossa Senhora das Dores.
E os bons ofícios da Nossa Senhora dos Remédios seriam imprescindíveis no sucesso da implementação dos medicamentos genéricos, contra o Dark Side of the Force (Ordem dos médicos).

Mas não é só a Nossa Senhora a quem podemos, portuguesmente, recorrer:
Estou convencido que São Cristóvão seria de grande utilidade a assessorar a Prevenção Rodoviária Portuguesa e até o nosso Presidente da República, que tanto tem lutado para manter os centros de decisão económicos nas mãos dos portugueses (em vez de irem progressivamente parar às mãos dos espanhóis), teria certamente mais sucesso neste combate se fosse auxiliado por outro Jorge como ele, neste caso o Santo.
Pois não é verdade que foi S. Jorge quem auxiliou o nosso D. Nuno Álvares Pereira a derrotar os castelhanos na Batalha de Aljubarrota?

E se reportarmos esta "tale" para o "shire", conhecido que é o sportinguismo de Sampaio, também não é verdade que foi o grande S. Jorge quem conseguiu vencer o Dragão?



Texto original: Lúcio (Radio Pax), com pós-produção da casa.

Ainda sobre Cunhal, Pacheco Pereira e Jornadas Históricas

Em 3 de Março de 2002, escrevia eu em desabafo a Durão Barroso uma carta da qual extraio apenas este parágrafo:

O produto do mecanismo estupidificante massivo e continuado das
televisões e do jornalismo em geral - o povão profundo- vai perdendo
a noção da sua idiotice auto e hetero construída e vai progressivamente esquecendo a inibição natural própria da sua manifesta ignorância e consequentemente invadindo a sua área de influência - o povão que o rodeia - de forma directa e interveniente, qual praga paulatinamente alastradora, manifestando cada vez mais o orgulho que essa imensa ignorância lhe confere.
Depois do orgulho gay, exibe-se agora o orgulho da miséria intelectual,
da mediocridade diariamente incentivada e já institucionalizada,
e o supremo orgulho do analfabetismo convicto do povo português.


Ontem, numa das minhas aulas de matemática do 9º ano de escolaridade - a escolaridade obrigatória, em Portugal - inadvertidamente falei em Pacheco Pereira, a propósito de se encontrar em Seia, por via das VI Jornadas Históricas.
Fez-se silêncio.
- Não sabem quem é Pacheco Pereira?
Silêncio.
Vira-se uma aluna:
- Eu sei. É aquele do Sporting.
Silêncio.
Expectativa geral, para se saber se ele é mesmo o gajo do Sporting ou se a colega se terá enganado no clube.
Se eu dissesse que é do Benfica, por exemplo, a algazarra imediata seria ensurdecedora, e a colega seria ridicularizada até ao tutano.

Calei-me e perguntei se sabiam, ao menos, quem foi Álvaro Cunhal - que morou aqui em Seia até aos 11 anos de idade.
Silêncio.
E sobre a ditadura, a democracia, o 25 de abril....
Um aluno disse:
- Já ouvi falar disso.

Eu perguntei (porque tinha essa ideia) se por acaso a ditadura militar, o estado novo, Salazar e a recente história portuguesa não fazia parte do programa de História do 9º ano.

Responderam todos à uma:
- Ainda estamos a dar a matéria do 8º que não acabámos o ano passado.

Pedi o livro de História deste ano (o 9º) e vi que efectivamente todos os assuntos que referi se encontravam no plano curricular.

Não vi foi uma única menção a Álvaro Cunhal nem ao PCP.

Os putos são broncos e têm razão.

INEM: Falcons para o Kuwait, ambulâncias podres para a IP5

Um Falcon do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) partiu sexta-feira à noite para o Kuwait, com escala em Palermo (Itália), para recolher a jornalista Maria João Ruela.

Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh!

(É das tais portugaladas que não se conseguem comentar, porra!).

ACABARAM-SE AS LIGAÇÕES AÉREAS REGULARES COM O KUWAIT, queres tu ver???

Tem que lá ir um jacto de propósito buscar a rapariga....
Com um médico, 2 enfermeiras e 3 delegados de propaganda médica, cada um de seu laboratório?

Ai, valha-nos Deus!

"O resgate de Carlos Raleiras é patrocinado por Sonasol tripla-acção"

Saddek Al Hassam é quem vai receber o papel.

Este árabe entrou directamente para o top 10 dos meus pensadores favoritos.
Tem escritório montado em Bassorá, foi dado à TSF o nr do seu telefone, e é ele quem vai receber o dinheiro do resgate do jornalista português.
Só assim e mais nada.
Nas barbas das tropas americanas, alguém lhe entregará o saco; ele recebe-o e depois concerteza até os levará ao encontro do jornalista, para poderem todos beber um caneco de comemoração do negócio.

Allah é grande e dólares há muitos, palerma!
Não se esqueçam de entrevistar o homem para o Caras Notícias.

11.14.2003

Jornadas Históricas... para ociosos?

Terminaram em Seia as jornadas históricas dedicadas à vida e obra de Álvaro Cunhal.

Terminaram, e a esmagadora maioria da população nem sequer se aperecebeu de que tinham começado.
Realizar Jornadas Históricas, com a devida vénia para a organização (que terá as melhores das intenções), durante as horas de trabalho das populações, é o mesmo que desprezá-las, digo mesmo: que insultá-las.

Por certo não esperavam que o senense comum pudesse pedir ao patrão 3 diazitos para assistir às jornadas, ou esperavam?
Assim, ali se veem sempre os mesmos: reformados, ociosos e professores que se baldaram 3 dias às aulas, para se valorizarem (?!) com as comunicações dos congressistas.

Eu afirmo sem hesitar que pavonearem-se sempre os mesmos "actores" e ociosos à  frente dos ilustres convidados, para lisboeta ver e senense comentar, é simplesmente algo de inqualificável que sinceramente me envergonha, enquanto cidadão desta terra.
Um exibicionismo podre de quem pouco ou nada faz na vida e se mostra, periodicamente, à sociedade de ociosos seus iguais, para não ser esquecido.

Seia não precisa, de todo, destas teatradas.
Seia precisa destas e de outras jornadas, sim, mas que possam ser frequentadas e disfrutadas pela população. Não por este repetido e corriqueiro clube de ociosos.
Por esta triste feira de vaidades balofa e medíocre.
Um autêntico desperdício.

Hoje, por exemplo, andava tudo que nem uns doidinhos a correr atrás do Pacheco Pereira....
Que vergonha... Quem tão pouco o considera, no dia a dia, colar-se daquela maneira miserável para aparecer, na rua e no restaurante, ao seu lado...

Eu digo que já chega de tanta palhaçada e tanto insulto a quem trabalha, nesta terra que parece mesmo tão desabitada de inteligência, que nem aquele notável intelectual consegue aportar a estes cérebros empedernidos algum fugaz benefício.

Jornadas culturais abertas à  população num país desenvolvido fazem-se em horário pós-laboral, e não durante as horas normais de labor, aquelas de que este país tanto pede e precisa para se livrar da triste situação militante de último lugar de uma europa cada vez de si mais distante.

Pensavam que iam para um safari para o Quénia...

Os valentes dos repórteres tugas, na boa, decidiram entrar no Iraque sem escolta nem nada, porque é claro que ninguém se ia meter com eles...
Os garbosos GNRs tinham-nos deixado na noite anterior entregues à sua sorte.
E eles, como era de noite e não havia por ali disco-nights, decidiram voltar para trás.
Hoje decidiram regressar para a frente.
Agora andam os ingleses à procura do jornalista português desaparecido.

A nossa GNR já tomou conta da ocorrência.

Democracia à Portuguesa

O povo tuga - essa entidade nebulosa que a classe política passa a vida a elogiar publicamente e pela qual não pode, de facto, nutrir maior desprezo, acaba de mostrar mais uma vez que bem merece o lugar que há décadas ocupa no ranking da qualidade de vida a nível europeu. O primeiro da tabela invertida.

A Sic Online foi forçada a encerrar o seu fórum público, dada a quantidade de insultos e mensagens miseráveis que aí eram apensas diariamente.

Há povos que não merecem, de facto, a democracia.
Eu conheço um.

116 mil baldaram-se

116 mil cidadãos não entregaram a declaração de IRS num dos últimos 3 anos.
Vão já ser notificados, garantem as Finanças, a partir da próxima semana.
Então e para quê?
Vão instaurar mais 116 mil processos, é?
Para somar ao meio milhão das operadoras de telefonia móvel e aos 200 mil da PT?
E quem os julga?
Os 10 mil tribunais que se vão construir para a semana?
Vai lá, vai...

Um pontapé num formigueiro

D. José da Cruz Policarpo, disse estar "apreensivo" com a segurança do contigente da GNR que seguiu para o Iraque.
"Penso que se estivesse no lugar deles também estava apreensivo", disse.
"Aquilo foi dar um pontapé num formigueiro", ilustrou.

Que rica analogia, esta do bispo, entre humanos (infiéis, é certo) e insectos.
Muito apropriado, para um profissional de Humanidades...