- Alterações Climáticas. A maior mentira do sec 21
- O negócio multimilionário das vacinas obrigatórias
- O despovoamento galopante do interior: restam-nos 3 décadas
- Os mitos sobre a neve especial na Serra da Estrela...
- AS 9 VERDADES SOBRE AS BARRAGENS E O SEU VENENO MORTAL: O METANO
- O QUE ACONTECEU A SEIA NOS ÚLTIMOS 30 ANOS... e o que vai acontecer nos próximos 4
- As 5 leis fundamentais da estupidez humana.
- 1º Dezembro de 1640
- A Troca do Rei
5.10.2002
Sobre a extinção da RTP e o tão propalado Serviço Público de Televisão... O serviço público que o público não quer
Informo gratuitamente estas dezenas de Karl Poppers de bolso que o povo, na sua imensa e esmagadora maioria, e por todas as razões ideossincráticas e mais algumas, nunca perderá tempo a ver coisa que se revista de um mínimo de qualidade ou solicite a mais básica das ponderações.
Pelo menos nos próximos 100 anos, com tendência a piorar.
Mais informo que os programas que apelavam antigamente para o raciocínio ou interiorização de conceitos não-básicos foram sendo progressivamente banidos do mainstream, por se provar a sua continuada impenetração na audiência.
Mais: cedo se percebeu que uma programação que não roçasse o mais baixo que o ser humano é capaz se mostrava ruinosa para a sobrevivência das estações que ingénuamente tentaram promovê-la, na medida em que um programa não-estúpidificante provoca de imediato centenas de milhares e mesmo milhões de espectadores em desabrida para as concorrências que, súbita e desmesuradamente, se vêem engordar, independentemente das suas próprias programações do momento (desde que igualmente imbecis, é claro).
Este efeito de zap pernicioso atirou dezenas de pequenas estações regionais nos EUA para a mais negra falência e obrigou muitas outras grandes estações a "corrigirem-se" editorialmente a fim de, simplesmente, conseguirem sobreviver.
Mas também era só ler.
Está tudo estudado, publicado, defendido em milhares de teses por esse mundo fora. Não se inventa a pólvora aqui.
As outras televisões generalistas por todo o mundo desenvolvido são iguais ou piores que as nossas.
Em Portugal - o país em que se instituíu que a popularidade deve substituir a competência - devíamos continuar a ser criativos.
O que é recomendável e popular aqui é precisamente o inverso do defendido para a RTP: mais canais a darem o mesmo, para que o povo possa ter acesso a novelas e futebol ininterruptamente, enquanto o futebol e as novelas dos canais concorrentes estiverem em pausa para o publicitário intervalo.
"Os portugueses" (como lhes chama a TVI) aderem em massa a este formato, legitimando aquele que parece ser o verdadeiro serviço público reservado à televisão em Portugal: A transmissão de "reality shows" em sessões contínuas.
Mais generalismo implica, por outro lado, descida dos preços na publicidade aos pensos higiénicos e aos detergentes para a louça.
Todos ganhamos com isso.
Ficaremos a conhecer muitas mais marcas que lavam 1 milhão de caçarolas com meia gota, pensos que deixam respirar e fazer o pino, e iogurtes que possibilitam a levitação de todas as senhoras obesas que os carregarem, às caixas, nos hipermercados.
A guerra Quixotesca a favor da cultura do povo está perdida por definição, porque o povo simplesmente não quer ser chateado com cultura de nenhuma espécie.
Quer é circo. E isso tem. Portanto é feliz.
A Manuela Ferreira Leite pode continuar descansada.
9/5/2002
5.06.2002
O braço do 5º Poder
A realidade é que uma classe mandante e profissionalmente discreta labora incessantemente por detráz dos seus homens-de-mão, cuidadosamente escolhidos e estratégicamente colocados nos cargos públicos para "darem a cara" (enquanto a elite se entretem nos seus sumptuosos hotéis a dar outra coisa), qual Truman Show sinistramente real.
E a prova disto é que o próprio Primeiro Ministro não faz o que quer. Este, fartou-se de prometer um "choque fiscal" e ele de facto aí está… mas de sinal contrário.
*Quem controla o Governo?*
O Primeiro-Ministro não é, está visto.
Justificando-se ora com a conjuntura interna ora com a externa (com aquilo que lhe der mais jeito), os PMs sempre deram os golpes-de-rins necessários, na estrita obediência a quem de facto escolhe as políticas a implementar – a Alta-Finança nacional. Em Portugal, esta é liderada, mas não monopolizada, pelo grupo BCP de Jardim Gonçalves (JG).
Chamemos-lhe hierarquicamente o 1º poder.
É claro que esta "modesta" Alta-Finança nacional (comparticipada ainda assim por grandes grupos financeiros Espanhóis, Franceses Belgas e Suiços) se alicerça nos grandes negócios internacionais e "descansa" em todos os off-shores, imensos paraísos fiscais em que os triliões rodam permanentemente à ganância, sem que os Estados que os vêem passar à frente do nariz recebam mais que uma mera migalha do que deveriam cobrar por idêntico volume de transacções e lucros reais.
Um dia, Carlos Carvalhas e seus camaradas(?) perceberão, esperemos que ainda durante este século, que isto sempre assim funcionou. Não é de agora.
A este 1º poder, contudo, também não lhe será permitido evoluir desmesuradamente, porque o verdadeiro Grande Poder nunca deixará. Se JG continuar a crescer permanentemente fora de portas para além de um limite tácitamente aceite pelos seus pares, algum Gigante Financeiro o absorverá, de imediato.
JG ficará comodamente sentado na presidência de um Grupo Ibérico e receberá as suas directrizes dos Estados Unidos, naturalmente.
(aparte: Nessa altura já Paulo Portas pertencerá aos quadros do BCP, tal como Murteira Nabo, os filhos do Belmiro e António Guterres, entretanto despedido do privatizado IPE).
E porquê dos Estados Unidos, perguntará um despreocupado (português) leitor?
Porque é ali que se produz a Informação a difundir.
Daí provêm as directivas estratégico-financeiras; é ali que se elabora a planificação global do planeta.
Nos EUA se decide quais os países a apoiar, quais as populações a abandonar, quais as armas a vender, os conflitos a fomentar, e quais os terroristas a arcar com as culpas.
Tudo com o sublime propósito da "safeguard of Freedom and Human Rights", o que significa, em português: perpetuar o domínio do Tio Sam sobre a Terra.
Só não se decidiu nos EUA (e mesmo assim, não sei…) foi o 11 de Setembro.
*O 4º Poder*
Olhemos para o Fluxograma e para Portugal, hoje:
A Alta-Finança controla os Governos e a Justiça. Os governos tentam influenciar, por seu turno, a mesma Justiça.
Esta, não influencia absolutamente nada. Nem sequer os comportamentos sociais da população anónima.
(A Justiça portuguesa, pela sua inacção e somatório histórico de erros crassos, está absolutamente esvaziada de credibilidade e ética, neste momento. É vista pela generalidade da população como um mero jogo de azar em que ganhar ou perder, ser-se sentenciado como criminoso ou herói é perfeitamente aleatório).
Bruxelas dirige os Governos. Traça as directivas comunitárias a que todos os Estados membros se obrigam, no desafinado Concerto das Nações.
O Governo controla, pelo menos aparentemente, o Aparelho de Estado civil e militar.
A Mega-Finança Americana domina todos os anteriores à distancia, não se fazendo rogada em influenciar, pontualmente, os governos, os destinos dos povos e seus territórios, de acordo com os seus "legítimos" interesses estratégicos, no momento.
E temos convivido com um 4º poder – o dos média – que até aqui tem contribuído para "equilibrar o barco", fazendo grande contenção a muitos dos exageros dos governos e seus patrões.
Apenas o risco da exposição pública da corrupção generalizada a tem obrigado a obedecer a alguma discrição e a efectuar a maior parte dos recuos. A desaparecer este risco, o país transformar-se-ia numa selva de predadores em plena acção à luz do dia, num cenário dantesco de consequências inimagináveis.
Sabemos que os Governos, as Câmaras e as Polícias SÓ acorrem prontamente a resolver os assuntos mediatizados nos noticiários das TVs e nas parangonas das primeira páginas.
O resto, o que é menos visto… não é lembrado, e assim fica, ao Deus-dará.
Por isso, as populações em aflição já não recorrem aos órgãos de poder convencionais.
Recorrem à exposição e à visibilidade dos média, para resolverem rápidamente os problemas que, pelas vias burocráticas dos poderes normalmente instituídos, tarde ou nunca se resolveriam.
O 4º poder tem sido, em grande medida, o Robin dos Bosques dos pobres; o que mais tem valido aos fracos e oprimidos, neste país.
*E se um 5º poder "engolir" o 4º?*
Deparamos hoje, neste contexto, com um cenário bastante inquietante:
É que a alta Finança está a comprar os média por toda a parte, e mais rápidamente do que os espanhóis compram o Alentejo, ou que o Belmiro arrecada os milhões do Estado, o que me deixa muitas dúvidas sobre o seu verdadeiro propósito, ainda mais sabendo que este negócio – o da informação - não é da China, muito pelo contrário.
Na verdade, a maior parte dos jornais e estações de televisão convivem com passivos que não auguram grandes expectativas sobre a segurança e rentabilidade do investimento. Das 3 Estações de TV portuguesas, por exemplo, nenhuma apresentou lucros no exercício de 2000, sendo que 2 delas acumularam prejuízos na ordem dos vários milhões de contos.
Portanto, o negócio, quando falamos dos média, não é o lucro: É outra coisa.
No momento em que escrevo, a Impresa, o Grupo Lusomundo e o Grupo Media Capital controlam a quase totalidade dos média privados em Portugal: Televisões, Rádios e Jornais, dando emprego aos principais opinion-makers da Nação.
Significa que o braço do 5º Poder está já decididamente repousado sobre os ombros do 4º, e as consequências deste abraço constritor só podem revelar-se perniciosas para a livre informação, sendo que me parece esperável depreender que o Poder da informação não condicionada irá em breve começar a sofrer um processo gradual de esvaziamento ou diluíção, por forma a, pelo menos, não obstaculizar os interesses de quem realmente tudo sempre comandou.
Dá-me ideia que o valente Robin Hood está a aceitar, sem querer, um part-time nas cavalariças do Prince John.
João Tilly
1/5/2002
joao.tilly@netvisao.pt
4.27.2002
Le Pen, os rappers, e os Estados subsidiários do crime.
Por toda a Europa se percebe que, hoje, a grande maioria da criminalidade diária é perpetrada por bandos étnicos de jovens emigrantes legais ou não, de segunda e terceira gerações que abandonaram as escolas (por incapacidade ou preguiça) e que pretendem vir a ser rappers, no futuro, segundo o estudo levado a efeito pelo canal francês TV5, antes da primeira volta para as eleições presidenciais.
Estes bandos, no seu conjunto, recebem dos Estados europeus milhares de milhões por mês em subsídios de desemprego e apoios de todo o género e a única coisa que produzem são os assaltos diários e a disseminação da droga nesses países.
Os Estados não têm mão neles.
As polícias não chegam já para tantos milhares de jovens pro-rappers que, em quadrilhas organizadas, tomam conta de quarteirões inteiros, autênticos "bunkers" nos quais as polícias já não entram, a não ser com carros blindados de assalto.
Os Estados - incluindo o nosso – em vez de os reprimir ou controlar, continuam incrivelmente a subsidiar estes marginais, por quase toda a Europa.
Continuam a compensar mensalmente a sua falta de actividade útil, com subsídios e rendimentos mínimos, o que lhes permite adquirir droga e armas com as quais desenvolvem a sua actividade, fazendo de todos nós, cidadãos europeus cumpridores das suas obrigações fiscais, cúmplices activos na disseminação do crime e da droga, já que ela é comprada, também, com o dinheiro dos nossos impostos.
Esta cruel injustiça despoleta hoje um grito dramático de revolta por parte das populações esclarecidas contra o Estado investidor da droga e protector do crime, grito de revolta este que toma expressão nos recentes números do Le Pen em França e não só:
Na Bélgica, Áustria - onde as ourivesarias não têm grades durante a noite, - Suissa, Luxemburgo, agora França, a seguir Espanha e já em Portugal - com o PP no governo -, por toda a europa os Cidadãos mostram indubitavelmente que preferem a segurança nas ruas a outro qualquer chavão político estafado e mais que gasto por uma esquerda inimaginativa, globalmente corrupta, e há 10 anos moribunda que, em resposta ao avanço da extrema-direita se limita a patrocinar ingénuas e balofas manifestações anti-xenófobas organizadas pelos pobres de espírito que ainda não foram assaltados, pelos emigrantes honestos e medrosos e pelos pais dos assaltantes.
Basta ver os broncos manifestantes a tentar explicar a razão do seu protesto, para se perceber que aqueles coitados, além de não serem minimamente capazes de se exprimir de forma inteligível, não fazem a mínima ideia da razão que os leva ali.
Ali desfilam com o mêdo que alguém lhes incutiu, e não lhes perguntem de quê, porque eles também não sabem.
*Heróis do mar? Nobre povo?*
E por cá? Poderão continuar a ser defendidas e protegidas pelas autoridades portuguesas as corporações de marginais, com ou sem rótulo étnico, cujo modus-vivendi se reduz, desde há gerações, aos seus "pequenos" crimes diariamente repetidos com o conhecimento de todos:
O roubo, o estupro, a receptação, a coacção, a venda de droga, a venda de notas falsas, as declarações falsas prestadas no Registo Civil e no Rendimento Mínimo Garantido que recebem, por norma, em 3 e 4 concelhos vizinhos, a par com os abonos de família.
A falta de qualquer tipo de documentação obrigatória do cidadão.
A falta de qualquer tipo de documentação válida dos veículos que ostentadamente conduzem perante as autoridades, que nunca os intercepta (só por engano e logo os faz seguir o mais discretamente possível).
A falta de carta de condução, porque muitos têm 15 e 16 anos e nenhum tem o 9º ano de escolaridade.
A falta de seguro, inspecção, livrete, registo de propriedade, selo.
E são as mesmas populações que não pagam impostos de qualquer tipo:
- Nem IRS sobre as mercadorias da contrafacção, droga e objectos de proveniência duvidosa que vendem à frente de todos.
- Nem Contribuição autárquica ou predial sobre as casas e terrenos cedidos pelas Câmaras Municipais.
- E nem sequer chegam a pagar as casas que recebem, praticamente de borla, por todo o país.
A maior pouca vergonha da Nação é o desculpabilizar destes crimes públicos constantes, enquanto a população civil e pagante de impostos é martirizada diariamente com multas e coimas de toda a espécie, por falta de um só dos documentos acima enumerados.
Por isso a Áustria, Bélgica e França tendem a eleger governos que lhes garantam o controlo, punição e expulsão para o seu país de origem das etnias e imigração criminosas.
De entre estes países destaco justamente Portugal e os Açores, para onde em apenas 2 anos vieram "recambiados" dezenas de jovens, filhos de emigrantes portugueses que se dedicavam ao crime nos EUA.
Em consequência disso, hoje, no arquipélago, o clima de insegurança nas populações rurais é geral.
Os produtos mais vendidos durante o ano passado em Ponta Delgada foram as fechaduras, segundo o Tal&Qual, porque a maioria das casas rurais não as tinham – não era preciso - e as poucas que as possuíam não mostraram funcionar capazmente.
É que desde que estes jovens emigrantes começaram a regressar, as casas modestas do interior foram varridas por repetidas ondas de assaltos sem precedente na História Insular, o que prova a razão dos americanos em devolver os criminosos à procedência.
Não se trata, neste contexto, de xenofobismo emergente na Europa, não.
Nem a direita convencional avança por força de quaisquer virtudes político-programáticas, com maior ou menor reflexo junto dos eleitores. Nada disso.
Aqui convém lembrar que o super derrotado Jospin tem sido repetidamente confrontado com a sua juventude Trotskista pelos principais jornais e TVs Francesas e que o futuro presidente de direita Chirac, que vai ser eleito pela esquerda, se encontra ainda em liberdade porque recorreu ao paliativo vergonhoso da imunidade presidencial.
Não fosse eleito no próximo 5 de Maio, e teria que ser de imediato detido, tal a quantidade e a gravidade dos processos pendentes contra si, desde o tempo em que foi Presidente da Câmara de Paris, que fazem corar de vergonha qualquer pequenino Vale e Azevedo.
Será eleito com os votos da esquerda e dos emigrantes que ainda preferem a trafulhice à ordem.
Mas então do que se trata, quando se vota num qualquer Le Pen?
Trata-se apenas da reacção popular à inacção do Estado convencional de centro esquerda / direita (volver) que tem protegido tacitamente o criminoso, penalizando o Cidadão.
Trata-se apenas da tentativa desesperada da reposição da legalidade e da esperança quase perdida de vivência em paz das populações residentes, que têm o direito de sair à rua sem levarem um tiro, sem serem assaltadas e sem que lhes seja oferecida droga, por todo o lado.
*Nação valente e imortal?*
Em Portugal, terra de gente ingénua e bem-intencionada, a guerra pela limpeza tóxico/criminal será substancialmente dificultada, na medida em que é a própria vítima que desculpabiliza o crime ao, por exemplo, recusar-se por sistema a fazer queixa formal dos criminosos, com o incrível argumento de que não são apenas as máfias de Leste e os bandos étnicos os únicos responsáveis pelos crimes que vemos a par e passo na TV e nas ruas.
Como se os crimes alheios desculpassem ou anulassem os próprios.
Melhor ainda, há até muito quem defenda a honestidade dos mafiosos e dos corruptos, o que só pode ser justificado por mêdo e cobardia - duas das mais presentes características naqueles que têm sofrido na pele a influência destes bandos.
Em suma: acho notável a forma silenciosa como o povo em Portugal tudo tem aguentado e a tudo tem assistido, com um prudente distanciamento e recatado imobilismo, seus verdadeiros apanágios.
Os Senenses (habitantes de Seia, a minha terra), por exemplo, habituaram-se a deixar as mafias étnicas actuar à vontade à sua frente, assaltar, espancar os seus iguais, vender droga aos seus filhos. Os senenses veem e viram a cara para o lado.
Nenhum faz queixa de coisa nenhuma.
Depois acusam a GNR de inacção.
Tarde reagirá, este povo, contra o crime que o rodeia, por viver permanentemente aterrorizado com tudo e todos.
Por isso, também, tudo tem vindo a merecer.
No dia em que finalmente perderem o mêdo aterrador que os oprime, talvez os portugueses possam voltar a merecer as duas primeiras estrofes do hino nacional, há muito esvaziadas de qualquer sentido.
João Tilly
4.25.2002
28 anos depois… O melhor de Abril foi o 25. E pior, o 26.
4.20.2002
Herman e o povão
Herman José, o mais inteligente humorista português de todos os tempos, músico e designer nato e dialogador robusto e acutilante, possuidor de um background cultural invulgar na TV portuguesa dos nossos dias, vê-se agora inesperadamente abafado pela majestosa estupidez dos bate-chapas "muito-homens" e das modistas "com-cancro-da-mama", inusitados intevenientes e protagonistas nesta nova inqualificável saga da Sic.
Uma virtude tem este "pugrama" - revelar ao povão tele-espectador a sua verdadeira essência.
Antigamente amáveis, hospitaleiros, humildes e honestos - adjectivos que durante décadas o Estado Novo tentou instituir como Qualidades dos Portugueses, - revelam-se agora diária e finalmente as verdadeiras pedras basilares do âmago popular, sendo a principal e mais evidente a do analfabetismo congénito, que naturalmente traz a reboque a estupidez convicta, a inveja metódica, a idiotice conformada e a mediocridade anacrónica como "forma de estar", a par do subdesenvolvimento atroz como filosofia de vida.
Eis o povão segundo Herman José, no seio do qual ele decidiu agora inserir-se, para experimentar novas sensações em directo (sic).
Mas um duelo em directo com armas desiguais não é leal.
Superiormente dotado, Herman está visivelmente diminuído neste embate.
É que tal como não se pode ensinar um porco a falar francês, também não é possível transmitir qualquer tipo de informação ético-cultural àquela gente, simplesmente porque ela não possui os códigos e estruturas mentais necessárias à interiorização de qualquer conceito que não seja o da satisfação imediata das suas necessidades fundamentais.
Herman devia saber isso há muito, mas pelos vistos, não.
E assim, pela primeira vez desde 76, é possivel ver Herman claudicar, chegando ao ponto de desisitir sequer de intervir, completamente sufocado naquele estúdio da Endemol, onde não há um único ser vivente que lhe reconheça a ascendência que a sociedade cultural, em que se habituou a movimentar, sempre lhe conferiu.
Herman José é, no Masterplan, um génio fragilizado e esmagado pelo povão.
O mesmo povão que, por opção própria, se constitui e revê numa exponencial e esmagadora avalanche de idiotice e incultura, que consolidadamente vem relegando o nosso país para o seu justo lugar no ranking das nações da Europa.
João Tilly
20/04/2002
joao.tilly@netvisao.pt
3.08.2002
Abordagem mínima (como a nota) sobre o acesso ao Ensino Superior
As empresas que providenciam os serviços (as aulas e os exames) continuam a receber os seus milhões, os professores continuam a receber os seus ordenados, e os alunos continuam a ser analfabetos, imaginando, tal como os desgraçados dos pais que neles investiram uma fortuna, que são doutores. Tudo normal.
O mais grave é o verdadeiro ensino superior: o público. Atentemos na fauna que de lá sai licenciada, e por exemplo, a dos jornalistas de serviço nas televisões:
Há cada vez mais repórteres licenciados a falarem um PRETOguês ininteligivel.
Os que apenas são afectados e pedantes ainda se vão aguentando (que remédio...).
Mas modernamente quase todos optaram por colocar um S depois de cada verbo conjugado no infinito, à Barbie Guimarães – tal como: andar (andarS), comer (comerS), subir (subirS), e mais nojento que isso, vão substituindo as terminações no plural AS por um displicente JA .
Hoje, uma senhora com a voz mais pedante do mundo, fazia-nos a esmola de nos informar na Sic Notícias que "se sairS agora de casa não vai ter aquelaJA... filaJA... demoradaJA… (traduzo: aquelas filas demoradas).
Qual terá sido a nota final da licenciatura desta senhora? Mais de 10 valores?
E o que nos interessa a nota mínima de acesso aos verdadeiros cursos – aqueles onde de facto se aprende qualquer coisinha e são portanto os reconhecidos (e não os desdenhados) pelo mercado do trabalho, - se menores que mínimos acabam por ser, mesmo nesses, os critérios de selecção dos docentes e de aprovação dos alunos?
Ora, não será muito mais poética a metodologia da "vox populiis Senense", por exemplo, que promove alguns dos mais conhecidos empreiteiros a "engenheiros" quando estes nunca puseram os pés numa faculdade estatal, nem necessitaram de se submeter à nota mínima?
Também, por menor que ela fosse, não lhes restaria alternativa a não ser a de se dedicarem à pesca ou à construção civil… nas suas verdadeiras e cruas conotações.
Defendo, portanto, que continuemos, paulatinamente, com o presente sistema que ainda é o menos mau.
Nota mínima nos exames de acesso: a que calhar naquele ano, porque senão não entram alunos do interior.
Os que não conseguirem tirar 10 em engenharia em Coimbra podem sempre ir para os inenarráveis politécnicos do Interior em que a nota mínima de acesso é zero desde que foram criados. E os que não conseguirem entrada nos politécnicos-zero (por alguma insuficiência mental gravíssima) podem continuar a ir para um sítio qualquer longe das vilas e cidades onde moram, que por certo regressarão passado um tempinho …. Xaraaam!!! Engenheiros como os pais.
joao.tilly
3.03.2002
Carta a Durão Barroso em plena campanha eleitoral
Da estupidez galopante do povão à tentativa (pelos vistos, inútil) de o educar, ou:
A fonte do verdadeiro poder: o "jornalismo" televisivo.
Sr. Dr. Durão Barroso:
Quando vemos um país preso à televisão durante horas e horas a fio a assistir à discussão em torno da veracidade da queda na àrea do João Pinto e quando vemos um presidente da Câmara a fugir da populaça analfabeta a quem não consegue transmitir, por mais entrevistas que dê às televisões, as razões que lhe assistem, não podemos deixar de concluir que *a 2ª lei da termodinâmica até socialmente prova a sua correcção.
O produto do mecanismo estupidificante massivo e continuado das
televisões e do jornalismo em geral - o povão profundo- vai perdendo
a noção da sua idiotice auto e hetero construída e vai esquecendo a inibição natural própria da sua manifesta ignorância e invadindo a sua área de influência - o povão que o rodeia - de forma directa e interveniente, manifestando cada vez de forma mais clara o orgulho que a imensa ignorância lhe confere.
Depois do orgulho gay, exibe-se agora o orgulho da miséria intelectual,
da mediocridade diariamente incentivada e já institucionalizada,
e o supremo orgulho do analfabetismo convicto do povo português.
Uma questão coloco, pois, neste contexto:
Se é verdade que *a entropia (confusão, caos) só pode
aumentar em cada momento e nunca diminuir ou mesmo manter-se - por isso é que é fácil partir um copo de vidro ao deixá-lo cair, mas por mais arremessos subsequentes das partes nunca mais se pode obter o copo reconstruído, ou se quiser, por isso é natural envelhecer e todas as nossas funções vitais se irem desorganizando até entrarem em falência e impossível rejuvenecer, ou mesmo parar o envelhecimento –
1)
O que o leva a lutar pelo governo de um país
constituído por 9 milhões e meio de analfabetos funcionais que nunca perceberão mais do que uma frase (refrão) do que o sr. transmita, ileteracia esta dedicadamente
fabricada e consolidada no dia-a-dia por uma elite "jornalístico"-televisiva que julga estar a salvo e acima de qualquer poder?
2)
Tem o sr. consciência de que, diga o que disser, o que vai passar verdadeiramente para o povo é o tratamento "jornalístico" que a seguir for dado às suas palavras?
3)
Há alguém nos seus quadros que entenda de comunicação popular (massiva) e da forma de evitar as rasteiras pré e pós-jornalísticas? Se há, onde esteve até agora?
Grato pela atenção.