9.03.2006

Descapotáveis para a GNR enquanto as armas, obsoletas, se recusam a disparar


Quando o capitão Miranda e o tenente Silva (seu motorista) passam, poucos ficam indiferentes. O chefe do destacamento da Brigada de Trânsito da GNR na Volta estreia no asfalto um potente e vistoso descapotável, o Volkswagen Eos. A "bomba", acabada de sair da fábrica da Autoeuropa, em Palmela, tem 200 cavalos e custa 48 mil euros.

Mas não é só o carro que impressiona. Tanto ou mais que a máquina, são os homens da GNR que deixam muitos incrédulos. É que é frequente vê-los passar de capota aberta, sirene a tocar (na primeira etapa houve mesmo música...), braços no ar batendo palmas e puxando pela população que se junta à beira da estrada.

Confrontado pelo DN com tal comportamento, o capitão Miranda diz: "Em primeiro lugar está a segurança. Estamos presentes nesta Volta de forma profissional, mas sabemos que estamos numa festa e, além de estarmos a trabalhar, estamos a divertir-nos". O homem que está à frente de um destacamento de 23 militares da GNR - constituído por dois oficiais, dois sargentos e 19 praças - assume que "a festa também é nossa".

Esta atitude é "uma forma de mostrar uma imagem diferente do polícia que só sabe multar", diz o responsável, negando, no entanto, que o espalhafato seja uma espécie de operação de marketing da sua corporação.

O carro, esse, dá nas vistas mesmo parado. São muitos os que espreitam a viatura, de cor branca com o logótipo da GNR, que transpira potência. Antes de cada etapa, o banco detrás do coupé cabriolet é ocupado com várias paletas de garrafas de água mineral (o tenente Silva vai bebendo granizados e fotografando, com o telemóvel, as meninas da Ribeiralves...)

Há quem se espante com tal aquisição quando o País está em crise. Entre os que esperam a chegada dos ciclistas ouvem-se comentários. "É isto que andam a fazer com o nosso dinheiro", dizia um homem em Viseu. Ontem, em São João da Madeira, o Eos e as fardas deixaram dois amigos de 14 e 15 anos vidrados. Pedro e Ricardo querem ser "da polícia". E se dúvidas tivessem...

O Volkswagen Eos foi lançado há poucos meses e entre os que manifestaram preferência pelo modelo fabricado em Portugal encontra-se Carolina do Mónaco. A princesa escolheu um 2.0 FSI, capaz de atingir os 232 km/hora. Apenas difere do que transporta o capitão Miranda na cor: o da princesa é azul.

Marina Almeida

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