8.24.2006

Caudillo Sócras escolhe o procurador sozinho



Nem outra coisa seria de esperar de um aprendiz de ditador armado em democrata de esquerda.
PARA PODER MANIPULAR DIRECTAMENTE TODA A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL dirigindo-a para onde politicamente possa interessar e desviando-a de àreas em que politicamente ou financeiramente não interesse mexer e, se for caso disso, poder livrar os amigos, os financiadores da Alta Finança e os comensais do regime de quaisquer incómodos (como se tem visto), sejam de pedofilia, de crimes do colarinho branco ou de outros desvios do foro psiquiátrico, à cautela, toca a nomear um boy da nossa total cúnfia e não se passa cartão aos restantes partidos!
Ditadura tout-court.
Já nem se disfarça!
Sócras está mesmo decidido a implantar o Estado Novo versão II, e como tem praticamente todo o jornalismo vendido na mão, sabe bem que nada transparecerá cá para fora.
Nenhuma televisão entrevistará um comentador que denuncie este avanço ditatorial e anti-democrático de implantação de um novo regime ditatorial em Portugal.


É certo que a democracia não funciona neste país - eu sempre o disse - mas também é verdade que nunca esperei ver um tipo mediano, um banal bacharel de instituto, a liderar uma nova ditadura informal no Portugal de 2006.
Que vergonha, para 863 anos de História...
Volta, António: estás perdoado! Tu, ao menos, eras um intelectual... .

8.18.2006

A star is born



João Tilly Jr e a sua "brand new digital V-Drum TD-3".
Roland, pois claro. Com a velhinha TR-707 e um SPD-20 a apoiar.
Parece o Phil Collins...

8.12.2006

Nem o Expresso consegue evitar a propaganda: «Governo vai....»


A primeira página do Expresso não foge à regra da propaganda e da desinformação do governo: «O Governo vai mudar a luta antiterrorismo».
Como se houvesse alguma luta para ser mudada.
Mas esqueceu-se de dar uma notícia verdadeira:
«O governo não contempla as progressões na carreira para a função pública em 2007».
Isso é que é notícia!
Quer dizer: o governo «pensa» que os 500 mil funcionários públicos se vão calar mais um ano a este roubo que se prepara para perpetrar contra eles.
Eu acho que está enganado.
Quando o pessoal perceber que, por mais um ano, ninguém progride na carreira, não acredito que se fique.
O que é demais parece mal...
Como esta triste e repetitiva palhaçada de um desgraçado e ridículo primeiro ministro que passa a vida a correr em todos os países que visita. Com os tristes dos guarda costas a terem que copiar esta pouca-vergonha...
Nem em África!
Eu sinto uma extrema revolta em ser "representado" internacionalmente por um pantomimeiro destes.
Ainda mais quando vem do Brasil de mãos ABSOLUTAMENTE a abanar.
Foi oferecer legalidade a todas as prostitutas e espertalhões brasileiros que queiram cá desenvover as suas empresas e fugir ao fisco e, em contrapartida, Lula ofereceu-lhe um jantar.
Como diria esse grande e verdadeiro socialista - Salgado Zenha - que, infelizmente, já nos deixou:
Que vergonha de gajo, pá!

8.10.2006

Obiqwelu não interessa nada ao jornalismo desportivo


Quem se deu ao trabalho de ver hoje as primeiras páginas dos jornais desportivos (3 diários) pôde NÃO encontrar nenhum destaque à performance do campeão europeu de velocidade pura.
Encontra, sim, a futebolada e as tricas da ordem.
Deixámos morrer o Hóquei em Patins, em que fomos muitas vezes campeões do mundo, por abandono e falta de interesse do jornalismo profissional e, daquilo em que somos verdadeiramente bons, ninguém quer saber.
É só da desgraçada da bola que se vive neste país do frango de churrasco, do garrafão e do saco de plástico nas valetas.

Para os milhões de portugueses que lêem este blog diariamente e ainda não o conhecem, o Francis é o atleta ao lado da GRANDE promessa da velocidade feminina em Seia: a Joana Tilly.
Essa, toda a gente conhece...

7.26.2006

Enquanto a banca continua a bater todos os recordes de lucros obtidos, as taxas de juros sobem pelo sétimo mês consecutivo


400 milhões de euros foi o montante dos lucros apresentados pelo BCP só no primeiro sememstre deste ano. O BES apresenta mais metade disso. 200 milhões de euros de lucros. O que equivale a aumentos da ordem dos 36% relativamente aos números do mesmo período do ano passado.
Entretanto, os impostos realmente pagos pela banca são diminutos por via das inúmeras benesses fiscais de que usufruem.
As taxas de juro, essas sobem pelo sétimo (7º) mês consecutivo. A banca continua descaradamente a fazer disparar os seus lucros à custa das empresas e das famílias endividadas.
Ninguém no governo ou no banco de Portugal actua para regular este autêntico saque selvagem ao que ainda resta da agonizante economia portuguesa.
Quando todas as empresas fecharem de vez as suas portas, esmagadas pelo peso dos juros avassaladores, e as famílias não puderem continuar a cumprir com a banca mega-milionária, os vampiros da Alta Finança abandonarão a carcassa sêca (Portugal) e irão sugar outro país em dificuldades.
E quando os Tribunais não conseguirem cobrar nem sequer 1% das dívidas em incumprimento - que é quase o que já está a acontecer agora - talvez alguém, dentro do governo, se comece a preocupar com a dívida descomunal... da sociedade.
É que, se a Alta Finança decide abandonar este pobre País, quem é que irá assumir o seu patriótico papel de subsídio e corrupção da classe política?
Hein?

6.24.2006

Audições no Collegium Musicum (Conservatório) HOJE

Audição de Alunos

Hoje
Dia 24 de Junho
16:00h
Classe de Piano
(prof. Helena Lourosa)


Conservatório de Música de Seia - Collegium Musicum - Casa das Artes - Praça da República - SEIA - Telf. 238312583
email: collegiummusicum@netvisao.pt - http://www.collegiummusicum.online.pt/

6.07.2006

O fogo a antecipar-se irritantemente ao futebol


O Governo em geral e o ministro da Administração Interna em particular esperariam um início de época de fogos sem grandes polémicas.
Se mais não fosse, pelo menos porque, quando o calor começasse a apertar, o país estaria com os olhos na Alemanha e as televisões e os jornais cheios de reportagens sobre os golos, os que não foram mas deveriam ter sido, a dor no dedo mindinho do Pauleta, o que almoçou o Cristiano e jantou o Figo, etc, etc, etc.
Mas a meteorologia trocou as voltas a Sócrates e Costa e expôs as fragilidades do plano de combate aos fogos florestais que o ministro da Administração Interna passou dias a vender como a melhor coisa do mundo, num périplo de Norte a Sul do país.
Umas semanas antes do previsível, e quando os portugueses ainda só têm um ouvido na Alemanha, subiu o mercúrio nos termómetros e atearam-se as chamas nas florestas – tal qual aconteceu no ano passado e nos outros antes desse. Apesar das garantias do ministro de que nada voltaria a ser como antigamente…

6.06.2006

Os professores, os pais, a ministra e os outros



Trata-se de algo de que venho falando há tempos, mas mais concentrado sobre a futura «carreira docente»

Um dos temas mais debatidos na actualidade é o da reforma do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Todavia, sem ser por acaso, tem-se restringido o debate a um dos itens de classificação dos professores na avaliação que a direcção executiva da escola terá de fazer acerca do mérito do desempenho de cada um dos docentes (artigo 46º do projecto).
A ministra da educação, seguindo a cartilha que caracteriza este executivo, vai-se referindo ao tema como o tem feito com os demais que à sua pasta respeitam: a educação vai mal em Portugal e os responsáveis por tal catástrofe são os professores, por isso há que tudo fazer para os punir.
Depois os indefectíveis do partido e os outros que apenas por acharem que este gabinete faz coisas o querem apoiar, vão refinando a argumentação, a qual, por mimetismo associado à preguiça de muitos comentadores e jornalistas (a maioria dos quais nunca leu nem vai ler o ECD), se vai impondo no discurso corrente.
Uma coisa é certa: uma asneira, mesmo a mais bem disfarçada e ainda que muitas vezes repetida, nunca será mais nada do que isso mesmo, uma asneira.
Diz-se (sobretudo repete-se) que os sindicatos (não se diz os professores por preconceito ideológico) estão contra «porque são sempre do contra», sendo uma espécie de forças de bloqueio das reformas que vão endireitar Portugal. Com isto quer-se tapar o sol com uma peneira.
Vejamos o assunto com alguma objectividade e comecemos pelo princípio:
o sistema de ensino é organizado pelos poderes públicos, concretamente pelos governos, que o moldam de acordo com a sua ideologia ou pelo menos segundo a sua vontade.
Daí que a escola actual não seja nem mais nem menos do que aquilo em que os senhores políticos (que nestes 30 anos governaram a pasta da educação) a quiseram tornar.

Na sequência do 25 de Abril de 1974 houve nesta área transformações inevitáveis e positivas, como a democratização do ensino e a garantia do acesso universal. Mas o disparate começou logo a seguir.
Intencionalmente desgastou-se a autoridade dos professores e encetou-se o desprestígio da função.
Os «cientistas da educação», espécie de sociólogos pós-modernos que se incrustaram na área do poder, conseguiram vender a ideia falaciosa de que aprender não é algo que exija esforço e sacrifício e também que a autoridade (qualquer autoridade) é por natureza opressiva e por isso incompatível com um ensino «moderno».
Foram assim afogando a escola numa complexa rede burocrática, desgastando a imagem do professor (esse ente «autoritário»; agora crismado de «privilegiado») e degradando o seu estatuto.
O resultado está à vista.
A verdade é que a educação nunca foi encarada, seriamente, como um vector estratégico para o desenvolvimento do país. Os sucessivos governantes mais não fizeram que engendrar esquemas para falsear as estatísticas do «sucesso escolar», como falsearam as regras de apuramento da verdadeira taxa de desemprego ou do exacto valor do défice orçamental.
Para enganar quem? A história os condenará. Mas por enquanto a festa continua.
À semelhança do que já fizeram com os juízes, com os funcionários públicos e com outros, estes governantes alijam com facilidade as responsabilidades próprias e atiram as culpas do que está mal para cima de outros, que hão-de servir de bodes expiatórios.
E a cereja em cima do bolo vem a ser que a máquina mediática, que tão bem têm sabido olear, lhes vai dando lastro para prosseguir, com altas taxas de popularidade (e só isso verdadeiramente conta). Assim, têm conseguido pôr os portugueses uns contra os outros, sem que estes se apercebam que isto vai tocar a todos (menos aos do costume, como é óbvio).
Os professores não estão, evidentemente, contra o princípio de que as promoções hão-de resultar da apreciação do mérito profissional de cada um deles; como também não são contra a participação dos pais dos discentes na vida da escola; apenas não estão dispostos a ser prisioneiros daqueles.
E na verdade parece relativamente consensual que numa sociedade democrática os pais devem poder participar na definição estratégica do projecto escolar e que devem envolver-se nas actividades educativas a que sejam chamados a participar, etc.
Mas a avaliação do mérito dos docentes é uma coisa séria de mais para ser posta, ainda que apenas de modo residual, nas mãos deles.
Se se quisesse fazer uma verdadeira reforma do sistema de ensino, com vista a uma transformação radical do país no espaço de uma geração, o caminho era totalmente outro, o que inevitavelmente se reflectiria no ECD.
O princípio haveria de ser a verdade (e não apenas a aparência). E a táctica passaria pelo reforço da matemática, da física, da biologia, da língua pátria, das línguas estrangeiras e da história. O resto seriam opções que não contariam para o totobola.
O mérito dos professores e dos alunos havia de ser apreciado, claro. Mas com verdade (sempre ela), sem recurso a limites quantitativos para acesso aos escalões mais altos da carreira docente (veja-se o projecto de ECD; Mas porque é que só uma percentagem ínfima há-de poder ser excelente?).
E com a assumpção que haveria alunos excelentes e alunos maus, e que estes teriam de ser penalizados (é assim na vida, porque é que não há-de ser assim na escola?).
A taxa de «sucesso escolar» cairia drasticamente, para recuperar daqui por 20 anos, quando este já fosse um país diferente.
Ao invés e por incrível que possa parecer, a ministra da educação, a quem se não pode seriamente atribuir qualquer inversão relevante do caminho para o abismo que o sector da educação vem trilhando, tem granjeado a simpatia de muitos comentadores, apenas «porque sim». Porque quanto à reforma que o sistema precisa: nada.
E quem ler atentamente o projecto do novo ECD verá que a malha administrativa se adensa, a autoridade dos professores continua a diluir-se e o desprestígio da profissão se acentua. O que é que daqui se pode esperar que não, apenas, o poupar de uns trocos?

In Dizpositivo

5.30.2006

Eleições suspensas!






Como não podia deixar de ser, perante tal chorrilho de ilegalidades a «presidente» da «comissão que não sabe ler a lei» foi forçada a suspender o acto eleitoral.

Não estamos, ainda, na República das Bananas...
Mas pouco falta.
Se um tipo se descuida, voltamos ao tempo da PIDE....
Safa!

5.21.2006

Afonso Costa e a Primeira República




1 - O 5 de Outubro de 1910


A revolução republicana eclodiu na noite de 4 de Outubro.
O plano de operações tinha sido organizado por oficiais de carreira (capitão Sá Cardoso, tenentes Helder Ribeiro e Aragão e Melo) e previa três ataques simultâneos: ao palácio Real das Necessidades, onde o rei deveria ser preso, ao Quartel-General e ao Quartel do Carmo, onde funcionava o comando da Guarda Municipal.
Para isso os conspiradores (pequenos grupos de oficiais e sargentos, que seriam apoiados por agrupamentos civis) deviam apoderar-se, às primeiras horas da madrugada do dia 4, de quase todos os quartéis da capital e convergir depois com as respectivas tropas para aqueles objectivos.
Também se previa a revolta dos navios de guerra ancorados no Tejo, cujo comando seria assumido por Cândido dos Reis, o único oficial general com que o movimento contava.


Os revolucionários conseguiram apoderar-se, sem grandes dificuldades, dos quartéis de infantaria 16 (a Campo de Ourique), artilharia 1 e também do Quartel dos Marinheiros, em Alcântara.
Nas outras unidades o projecto falhou e as tropas manobraram à ordem dos oficiais fiéis à monarquia, indo ocupar posições para combater o movimento.
A tentativa de assalto ao palácio real chegou a iniciar-se, mas foi detida e os revoltosos não conseguiram atingir nem o Quartel-General nem o do Carmo. As colunas saídas dos quartéis sublevados foram assim, durante a madrugada, instalar-se na Rotunda, onde se barricaram e esperaram reforços que, entretanto, não chegaram.
Às seis da manhã parecia tudo perdido, e os dirigentes republicanos, que se tinham reunido nos banhos públicos de São Paulo à espera dos resultados dispersam e procuram pôr-se a salvo.



O almirante Cândido dos Reis suicidou-se.
A notícia desse facto chegou de manhã à Rotunda e agravou o desânimo que se apoderava dos revoltosos.
Às nove horas, numa reunião de oficiais, reconheceu-se a inutilidade da resistência e todos foram autorizados a debandar.
Todos os oficiais se retiraram, procurando refúgio seguro.
Machado Santos, alguns sargentos e uma centena de soldados e civis arma- dos continuaram, porém, em armas. Tudo indica que se tratou, como Pulido Valente afirma, de uma resistência da Carbonária depois do colapso da revolta militar.
Machado Santos, membro da Alta Venda, isto é, do supremo comando carbonário, dispunha de uma autoridade muito diferente da que lhe vinha da sua modesta situação de comissário naval «graduado» em segundo-tenente.
Os civis e os soldados ajuramentados na associação secreta obedeciam-lhe com ilimitada confiança e sabiam que na cidade agiam numerosos grupos de revolucionários civis e que até nas tropas que se lhes opunham havia muitos homens dispostos a ajudá-los.
Essas previsões confirmaram-se.
Durante a manhã de 4 de Outubro foram-se juntando aos revoltosos carbonários que afluíam de todos os pontos da cidade e também soldados que fugiam dos quartéis e vinham cumprir os compromissos.
Muitos deles traziam armas, outros alimentos para os combatentes.
Só na aparência a Rotunda é um núcleo isolado de resistência; de facto, é o comando de um exército invisível mas muito activo que domina os bairros populares e que, colocado nas imediações dos quartéis fiéis ao Governo, im- pede os movimentos de tropas arremessando bombas sobre as forças que se aventuram pelas ruas da cidade.
Os comandos militares agiram sob o terror dessas bombas, que fizeram muitas vítimas. A única força que cresce de hora a hora é a da Rotunda.
Ao fim da tarde do dia 4 parecia um arraial em festa, com mais de mil e quinhentas pessoas, que já se consideravam vencedoras.
Entretanto, a revolta da esquadra vinha tornar crítica a situação das forças monárquicas. Durante a tarde, dois navios de guerra tinham bombardeado o
palácio real, e o rei saiu dali para Mafra.
A resistência do cruzador D. Carlos, o mais poderoso navio da Armada, foi dominada e o navio aderiu à revolução.
Os navios republicanos puderam então mover-se livremente do estuário do
Tejo.
Assim, manobraram de forma a recolher as forças republicanas que estavam no Quartel dos Marinheiros e preparavam-se para um desembarque no Terreiro do Paço, para atacar as tropas fiéis ao Governo, que estavam concentradas no Rossio.
A fadiga apoderava-se dos oficiais e dos soldados depois de uma segunda noite fora dos quartéis e a iminência do desembarque ameaçava colocar essas forças, já desmoralizadas, entre adversários instalados na Rotunda e no Terreiro do Paço.


Ao amanhecer o dia 5, as tropas já só dominavam os quartéis e os locais em que se instalavam e de onde não ousavam sair, porque os grupos de revolucionários civis tinham-se disseminado por toda a cidade.
O Governo deu ordem para que os regimentos das cidades próximas convergissem sobre a capital, e chegou a recear-se um agravamento da luta.

É nessa altura que o ministro plenipotenciário da Alemanha resolve propor a ambas as partes um armistício de uma hora, para poder receber em navios de guerra alemães os estrangeiros que quisessem proteger-se.
Quando se dirigia de automóvel para a Rotunda, a fim de obter o acordo dos revoltosos, os moradores dos prédios próximos julgaram tratar-se de uma rendição das forças do Governo e, de um modo quase súbito, a Avenida da Liberdade encheu-se de uma multidão que aclamava a República vitoriosa.
Os soldados dos regimentos postados no Rossio confraternizaram com a população e começou a ver-se a bandeira da República em várias janelas de residências particulares e de serviços de Estado.
Não tardou que fosse hasteada no Quartel-General.

A República tinha portanto triunfado e toda a resistência cessara quando os membros dos órgãos directivos do Partido Republicano se reagruparam e di- rigiram para o edifício da Câmara Municipal, onde, segundo os planos iniciais, a proclamação formal do novo regime devia realizar-se.
No próprio dia 5, um suplemento ao Diário do Governo anunciava: «Hoje, 5 de Outubro de 191O, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal na sala nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da revolução nacional.»
O Governo Provisório, organizado pelo directório do Partido Republicano, era presidido por Teófilo Braga, sobrevivente da geração de 70, que dispunha de grande prestígio intelectual e, durante muito tempo, foi vigoroso apóstolo do positivismo científico, método que pretendia aplicar nos seus numerosos estudos literários.
Os ministros eram António José de Almeida, Afonso Costa, Basílio Teles, Bernardino Machado, António Luís Gomes.
Nas pastas militares ficavam dois oficiais superiores sem intervenção na revolução: o coronel Correia Barreto e o comandante Azevedo Gomes.
Entretanto, o rei estava em Mafra e ali soube, pelo telégrafo, que a República tinha sido proclamada em Lisboa.
Por conselho dos seus ajudantes, dirigiu-se, com as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, para a Ericeira, em cujas águas pairava o iate real.
Embarcou disposto a dirigir-se ao Porto, convencido de que o episódio revolucionário se limitava a Lisboa; o comandante do navio persuadiu-o, porém, a tomar o caminho de Gibraltar, primeira etapa de um exílio de que não houve regresso.
Em todo o País a notícia de implantação do novo regime foi recebida sem oposição. A expressão corrente de que a República se implantou pelo telégrafo é verdadeira.
Os comandantes das tropas que, sem pressa, se aproximavam de Lisboa regressaram aos seus quartéis e manifestaram a sua aceitação do regime.
Por toda a parte a regra foi a mesma: adesão pacífica dos quadros instalados às novas instituições. O sinal mais visível da mudança de regime era a supressão da coroa real nos edifícios públicos e a destruição do retrato do rei.
A simplicidade do processo de implantação da República é, porém, mais
aparente que real. As contradições da revolução de Lisboa iriam pesar de maneira decisiva no processo histórico da primeira fase do regime republicano.
O próprio relato dos acontecimentos que a propaganda vinculou - um punhado de valentes resistindo sozinhos no Largo da Rotunda, comandados por um obscuro comissário naval - procura esconder uma realidade completamente diferente: a revolução do republicanismo ortodoxo falhara completamente, mas a do republicanismo carbonário triunfara.
Ora, o movimento carbonário era a expressão de um estrato socioeconómico com características muito diferentes das que se registavam nas camadas dirigentes do Partido Republicano.
Os carbonários eram marujos, soldados e trabalhadores das profissões mais modestas; eram, para a classe média de 1910, a mesma ralé que em 1836 tinha causado a indignação de Herculano.
A plebe armada revelara-se uma força que o Exército não conseguira dominar, e isso tornava-a ameaçadora e perigosa.
Por essa altura, Teófilo Braga fez a generosa comparação: «[...] a Carbonária entregou a revolução ao Partido com a humildade de um sapateiro dando um par de botas ao freguês» (V. Pulido Valente, op. cit., p. 149).

Este juízo era o dos republicanos moderados: as forças populares tinham feito uma revolução que lhes não pertencia a elas, mas ao partido.
Por isso, segundo os notáveis da República, o papel do povo tinha ali o seu ponto final.
Chegou a ser publicado (embora fosse depois revogado) o decreto que desmobilizava os sargentos, cabos e praças que tinham tomado parte na revolução.
O regime viu-se assim colocado, desde a primeira hora, entre duas forças contraditórias: por um lado, uma força de combate sem quadros; por outro, quadros partidários sem força de luta.
A esquerda democrática e a direita, reforçada pela adesão maciça das classes médias, que agiam por instinto de conservação, entram desde o início numa competição que só terminaria em 1926 como triunfo duradouro do con- servadorismo republicano.


Bibliografia: História de Portugal, José Hermano Saraiva.

(Continua - A 1ª República)

Mafalda Arnauth no Museu do Pão



Sábado próximo, 27 de Maio

5.20.2006

O Cavaleiro do apocalipse


Sentei-me aqui para acabar o post sobre Fátima e Afonso Costa, mas mudei de ideias porque só tenho 15 minutos e escrever sobre Afonso Costa leva algumas horas, por baixo...
Vou então relacionar três tristes coincidências que me têm vindo a atormentar e para as quais não encontro explicação.

Trata-se dos 3 políticos mais célebres de Seia.
Que ganharam a maior parte da vida (excepto Afonso Costa) com a política.
E do que dela lhes adveio.
Acontece que nenhum deles deixou marca que se veja em Seia.
Pina Moura é o único dos três que ainda está activo, mas não se lhe vislumbra qualquer resquício de vontade de contribuir para o progresso da Terra que o viu nascer.
De facto, nem um mísero fontanário, uma pequena biblioteca, uma simples Fundação dessas que há para aí aos milhões... rigorosamente nada aqui deixaram, nem sequer como símbolo de agradecimento para com a Terra onde aprenderam as primeiras letras, ou de cumplicidade para com as gerações conterrâneas que se lhe seguiram.

É, provavelmente, um caso único na nossa História!
Os políticos senenses ignoram a sua Terra enquanto os demais se preocupam em deixar o seu cunho em todas elas.
Os senenses aqui nasceram, é certo, mas daqui fugiram a sete pés mal apareceu a primeira oportunidade para não mais voltarem.
A não ser Pina Moura, de passagem para a Guarda, muito de vez em quando...

O nosso vizinho Guterres, por exemplo, fez com que o Fundão - uma obscura vilazinha sem importância de maior nos anos 80 - se transformasse naquilo que hoje é.
Algumas 4 vezes maior que Seia.
Gugu e Sócras estancaram a "queda" e a desertificação sistemática da Covilhã nos anos 90, por via das falências das indústrias de Lanifícios (e das demais) e, com o advento da Universidade e da Faculdade de Medicina "roubada" a Viseu, muito contribuiram para que a Covilhã ultrapassasse claramente a vizinha Guarda que sempre lhe foi muito superior em extensão, comércio, Serviços e níveis de desenvolvimento.
Hoje, a Guarda dos retrógrados Almeida Santos e Pina Moura é uma sombra da Covilhã de Guterres e Sócras.
Tal como Seia é uma sombra do Fundão.


O maravilhoso de tudo isto é que, apesar do que ó número 1 das Nações Unidas para os refugiados fez pela sua Terra, o Fundão tem uma câmara municipal PSD.
E, não satisfeito o povão mal agradecido, até Donas - a aldeia de Guterres - tem uma Junta de Freguesia social - democrata.

É caso para dizer (como se diz na Covilhã):
Ala, que é cardume!

E agora venham cá os grunhos caciqueiros defender a «inteligência do povo» mais analfa da Europa e a sua maravilhosa «sabedoria» popular...

5.15.2006

O Packard de Salazar




O célebre Packard em que Salazar votou, pela última vez na sua vida (levaram-lhe a urna ao carro pois estava já impossibilitado de se deslocar pelo seu próprio pé) em 1969 - estará em Seia em exposição a partir desta semana e pelo prazdo de um mês, no Museu do Brinquedo.
Descobri-o numa aldeia do concelho vizinho de Oliveira do Hospital e não descansei enquanto não arranjei forma de o trazer para Seia, para a concentração que teve lugar este sábado, 13 de Maio.
Depois disso, o dinamismo da Organização conseguiu fazer com que o seu proprietário actual o dispensasse para poder ser devidamente apreciado pelos admiradores deste tipo de coleccionismo.
O Packard está absolutamente irrepreensível.
Junta-se uma foto do então Presidente do Concelho de Ministros provavelmente na última fotografia que se lhe conhece, justamente dentro do Packard.
Admirem!

5.12.2006

Nascer na Maternidade de Elvas é perigoso, para o Ministro. É preferível que os bebés nasçam nas ambulâncias!

O ministro vai mandar encerrar a maternidade de Elvas.
Em consequência disso, os bombeiros de Campo Maior esperam que muitas crianças nasçam nas ambulâncias, enquanto as mães são transportadas desde os extremos do concelho para Badajoz, ou para outro lado qualquer, que ainda não se sabe bem.
Por isso, 2 bombeiros de Campo Maior foram já a Badajoz tirar um curso intensivo de obstetrícia em movimento, para ajudar as crianças que se espera nasçam em viagem.
Acontece que, para ajudar à festa, também não entra uma ambulância nova em Campo Maior há 14 anos...
Portanto:
Para que não corram riscos nas maternidades, onde são assistidos por obstetras com menos prática do que o normal (menos de 1500 partos por ano), os bebés alentejanos vão passar a nascer em ferros-velhos em movimento, assistidos por bombeiros que devem, pelos vistos, fazer mais de 1500 partos por ano!!!
Ganda Ministro, pá!!!
És cá dos nossos!!

Numa coisa tens razão, ó Correia: nas maternidades que fechares nunca mais nenhum bebé correrá perigo! Nem as mães!

5.08.2006

vale ou não a pena berrar?



Até os socialistas profissionais berraram contra este inqualificável governo!
Este Sócras é impagável!
Um discípulo foleiro, mas muito foleiro mesmo, de Guterres.
O método aprendeu-o ele: mandam-se umas intenções para o ar para ver as reacções. Se elas forem muito desfavoráveis, recua-se.
Então pronto!
É só berrar contra as ignomínias de extrema-direita deste governo, como a de pôr as maternidades e as escolas a dar lucro!
Fica o problema resolvido.
Vá lá: toca a berrar!

5.05.2006

Mensagem Subliminar da Casa da Cultura



Enviaram-me esta imagem que é a capa da Agenda Cultural de Maio, por email, junto com uns comentários bem brejeiros que me dispenso de inserir.

De facto, se a intenção não é declarada, ela é, no mínimo grosseiramente "subliminar"...

Pergunto-me o que se passará na cabeça desta gente.
Não terão olhos?

Valha-me Deus!

5.02.2006

Adeus Intercidades!



A CP vai acabar com os comboios directos de Lisboa para as Beiras.
Covilhã, Guarda e Castelo Branco perdem Intercidades, substituídos por automotoras em viagens mais curtas. Os passageiros farão transbordo em Coimbra e no Entroncamento.
O objectivo da empresa pública é o de «optimizar a gestão da frota fazendo circular menos comboios nas linhas». Ao passo que a ligação Lisboa-Porto "DIZ-SE QUE VAI" diminuir em tempo com Alfas Pendulares mais rápidos, de 3h para 2h 30m.
Ao mesmo tempo "DIZ-SE QUE SE VAI" investir no TGV.
A verdade é que para muitas Maternidades, centenas de escolas, muitos serviços públicos e agora Intercidades a bitola é a mesma:A palavra de Ordem para o Interior é: FECHAR! FECHAR! FECHAR!
É nestas alturas que eu gostava que o Governo Sócras fosse privatizado.
Era a primeira coisa a fechar, dado o prejuízo que acarreta para a nação...

4.27.2006

Assembleia Municipal inútil


Vimos, ontem, numa Assembleia Municipal absolutamente inútil, para não dizer patética, à qual não compareceram simplesmente os dois elementos a ela imprescindíveis para que aquilo se pudesse revestir do mínimo de representatividade - o Presidente da AM e o Presidente da Câmara, que acumula agora com o cargo de Presidente do PS - muito boa gente (deputados) de cravo ao peito.Porque cidadãos a assitir, foi simplesmente zero.
Assim fica, uma vez mais, claramente demonstrada a importância que os senenses conferem a este orgão fiscalizador do poder local.
O melhor momento da manhã foi, sem dúvida, um dos discursos, pela sua leitura feita de uma forma indescritível, com as pausas todas ao contrário, feita a despachar, e com a voz a ser projectada "para dentro". Completamente imperceptível.Um momento de boa disposição.Outro foi a falta do senense que nunca o foi - Pina Moura.Vá lá, vá lá... afinal parece nem tudo corre mal, por aqui.

4.22.2006

Como obrigar os preços dos combustíveis a baixar


O preço da gasolina irá ultrapassar brevemente os 1,40 €/litro e o do gasóleo os 1,20 €/litro!!!

É possível que consigamos (todos os consumidores em conjunto) obrigar os preços a baixar.
É preciso agir conjunta e solidariamente.

Alguém sugeriu uma ideia genial, muito mais sensata que aquela em que nos pedem para não comprar gasolina no dia tal e no dia tal.
As empresas petrolíferas rir-se-iam desta campanha porque sabem bem que nós não poderíamos recusar sistematicamente comprar gasóleo e gasolina: seria muito mais uma estupidez da nossa parte do que um problema para elas (empresas).

Mas a proposta seguinte poderá ter resultados bastante eficazes, se para tal for levada a rigor.

Os mercados internacionais aumentam constantemente os preços através de medidas especulativas como relatórios pessimistas.
Por exemplo, em relação à possível eleição dos ultra-conservadores no Irão no final do ano.

Muito provavelmente 0,60 Euros/litro para o gasóleo e 0,80 Euros/litro para a gasolina já seriam preços mais do que justos.

Acontece é que mais de 70% do preço de cada litro reverte em IMPOSTOS para o Estado. IPP e IVA.

Existe uma nítida cartelização no sector dos combustíveis.

De facto, a Galp tem o monopólio da refinação e existe pouco peso na importação directa por parte de outras petrolíferas.
Além disso, a Galp controla, também, uma série de infra-estruturas de armazenagem.
Assim, a falta de concorrência estrutural no mercado português é um factor determinante para a cartelização.

Se actuarmos decididamente, podemos demonstrar-lhes que num mercado livre e concorrencial tanto a oferta como a procura controlam os preços de mercado e não apenas uma delas.
Face aos aumentos, por vezes até mais do que uma vez por semana, do preço dos combustíveis, devemos reagir também como um cartel.
A única forma de obrigar os preços a descerem terá de passar por uma vontade firme e generalizada.
Como necessitamos diariamente das nossas viaturas, não podemos prescindir dos combustíveis, mas podemos actuar de forma a conseguir um impacto real no mercado dos combustíveis, se agirmos todos em conjunto.


EIS A PROPOSTA:
NÃO COMPRAR UMA GOTA DE COMBUSTÍVEL ÀS TRÊS MAIORES EMPRESAS DE COMBUSTÍVEIS NO PAÍS: GALP, BP e REPSOL .

EXISTEM OUTRAS EMPRESAS COMO A CEPSA, ELF, ESSO , etc. ....

Se aquelas empresas virem as suas vendas de combustíveis reduzirem drasticamente, serão obrigadas a tomar uma atitude de pressão sobre o estado para que este reduza o IPP, ou então terão que prescindir, elas próprias, de parte considerável da sua margem de lucro.
Os combustíveis terão, de uma forma ou de outra, que baixar os preços.
E se uma delas baixar, as outras empresas serão forçadas a segui-la.

Para criar o tal impacte, temos de conseguir a compreensão e a colaboração de todos.

A Internet dá-nos a possibilidade de conseguir isso.
Se esta mensagem for entregue a 10 pessoas e se cada uma destas dez a transmitir a outras dez, e assim por diante, ela será lida por cerca de UM MILHÃO DE CONSUMIDORES após seis gerações (envios).

Tudo o que temos a fazer é enviar desde hoje esta mensagem a dez amigos e pedir-lhes que façam o mesmo.

E, claro está, abstermo-nos de abastecer naquelas empresas, ou seja BOICOTÁ-LAS pura e simplesmente.

E é tudo !
Se agirmos conjuntamente vamos conseguir!
Acreditem que podemos provocá-la, se passarmos esta mensagem aos nossos amigos e conhecidos.

NÃO SE PERDE NADA EM TENTAR.
E os gajos (governo e Galp) vão abanar... ai isso, vão!

RolingFire 2006

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Seia, mais precisamente o seu Centro Cultural e Desportivo, levará a efeito no próximo dia 13 de Maio, pelas 15:30 horas, o II Grande Prémio RolinFire – Carrinhos de Rolamentos / SEIA 2006.

O Cartaz, Regulamento e a Ficha de Inscrição estarão brevemente disponíveis no Site da Associação: www.ahbvseia.com

Esta iniciativa visa, sobretudo, relembrar e preservar as memórias de outras épocas, contribuindo simultaneamente para animar as Ruas da Cidade.
45 participantes oriundos de diversos Concelhos da Região fizeram uma demonstração das potencialidades desta modalidade, pondo ao rubro as centenas de pessoas que se deslocaram propositadamente ao circuito improvisado e recentemente inaugurado pela edilidade senense.
Perícia, Agilidade, Destreza, foram o prato forte servido pelos pilotos do I Grande Prémio RolinFire.
Este ano haverá mais...Um percurso mais longo...Mais animação...

4.20.2006

Holocausto ao cubo


O governo Alemão abriu (veja-se a diferença: nos outros países a notícia acontece quando alguma coisa se faz. Aqui é quando se anuncia que se há-de fazer) os documentos sobre o Holocausto a investigadores e vítimas.

São 50 milhões de documentos que têm estado guardados em caixas e a que, até agora, só a cruz Vermelha teve acesso.

Há aqui uma grande importância histórica: vai poder saber-se ao certo (enfim, aproximadamente) o número de vítimas nos campos de concentração.
saberemos se foram os 300 mil de que fala o presidente Iraniano, se foram os 1,2 milhões de que falam alguns investigadores que já tiveram acesso a muitos documentos, se são os 6 milhões que se propagandeiam nas escolas ou se são os 17 milhões - última versão posta a circular há dias.

Desde já aviso que não posso acreditar nos últimos 2 números.
Simplesmente porque não haveria logística que conseguisse "digerir" 6 ou 17 milhões de corpos em tão pouco tempo e apenas naqueles 3 campos de concentração.

Eu explico:
Os fornos não são mais do que 8 a 12 por pavilhão, no máximo comportariam 2 ou 3 corpos cada um e demoram horas (2 a 3) a convertê-los em pó.
Depois era preciso "abastecer" cada campo com mais de 5.000 pessoas por dia o que não se verificou.























Nem podia. As distâncias a percorrer obrigavam os comboios a perder 2 a 3 dias para cada lado de modo que o abastecimento de cada campo se fazia a um ritmo de 1 por semana. Nem haveria instalações que os acomodassem mesmo ao molho. Não há relatos de que dormissem na rua.
Portanto nunca poderia existir esse "caudal" durante os 3 anos que a chacina durou. Sendo certo que, em média, os 3 campos funcionaram em pleno apenas de meados de 43 a Abril de 45. Apenas 2 anos.
E depois ainda era preciso transportar 6 milhões de corpos das câmaras de gás para os fornos, o que só por si requereria uma mão de obra gigantesca.
E quem os transportou?
Os outros judeus prisioneiros?
Só podia ser, mas isso mostrava-lhes de imediato o que iria acontecer-lhes a seguir e todos os relatos de sobreviventes garantem que eles não sabiam de nada do que se passava nos campos.
E fica claro que não sabiam senão não marchariam ordeiramente para os "duches" mortais.
Pergunta-se portanto:
Quem carregava os corpos?
Como se tiravam os corpos lá de dentro, se o gás Zyclon B fica a actuar eternamente?
Abriam as janelas?
Mas depois o gás saía cá para fora e, mesmo diluído, sendo mais pesado que o ar, podia ainda matar muita gente nos campos, incluindo soldados alemães. Bastava que o vento soprasse nessa direcção.
Não há relatos de incidentes desses.

No livro "A solução Final" aparece um claro erro de contas de... 150 mil judeus mortos no único documento apresentado. De 175 mil que apareciam no total, afinal seriam apenas 17.500 se fossem bem feitas as contas. Até o autor reparou e chama, para tal lapso, a atenção do leitor.

E nisso já acredito.

Façamos as contas ao contrário:
A esmagadora maioria dos judeus exterminados não saíu directamente das suas casas para entrar nos comboios, ao contrário do que muitos filmes ocidentais parecem querer mostrar. Era, evidentemente, necessário agrupá-los nalgum lado para depois se programar o seu transporte para os campos de extermínio de Sobibor, Belzec, Chelmno, Treblinka, Culm, Gross Rosen e Stutthof, embora os três últimos não tivessem sido significativos em termos do genocídio. Os 5 principais funcionaram entre 1941 e 1943. Apenas.
Auschwitz, Auschwitz-Birkenau (II) (que foram os mais importantes) e Majdanek também possuíam câmaras de extermínio e essas foram mantidas em funcionamento até 1944.

O local de agrupamento enquanto esperavam transporte eram chamados «guetos».
Estas porções fechadas de cidades, de onde não se podia sair, foram construídos primeiramente para isolar os Judeus, os ciganos e outros grupos étnicos considerados de raça inferior, do resto da população «ariana».
Portanto, só podem ter sido exterminados os judeus que previamente foram agrupados em guetos. Daí, começaram a seguir para os campos de concentração.

Sobre os guetos há a dizer o seguinte:
O primeiro gueto foi estabelecido em Lodz, segunda maior cidade da Polónia, no início de 1940, e abrigou entre 160 mil e 200 mil pessoas numa área de 3,2 quilômetros quadrados. O maior foi o de Varsóvia, formado no mesmo ano, onde foram confinados cerca de 500 mil judeus e ocorreu o mais significativo movimento de resistência judaica, o «Levante do Gueto de Varsóvia».
Nos guetos, a administração de assuntos da comunidade era de responsabilidade dos Jundenräte - conselhos formados por judeus - que se reportavam aos alemães. Essas organizações sofreram muitas críticas pela pouca resistência que ofereceram aos alemães. Integrantes dos Jundenräte acreditavam que, adotando uma conduta de colaboração com os nazis, poderiam aliviar o sofrimento da população do gueto, que vivia sob grave racionamento de alimentos e medicamentos e habitava cubículos sem aquecimento durante o rigoroso inverno Polónia - as condições a que eram submetidas no regime de confinamento eram dramáticas, o que provocou várias epidemias, especialmente a de tifo.
Daí a célebre frase Nazi «Judeu-piolho-tifo» tão em voga.
Outros guetos importantes foram os de Cracóvia, com aproximadamente 72 mil judeus, Lublin, com cerca de 40 mil, e Vilna, com algo em torno de 60 mil. A partir de 15 de outubro de 1941 uma nova ordem de conduta alemã passou a punir com pena de morte os judeus que deixavam os guetos. Porque até aí muitos (milhares segundo afirmam os entendidos) conseguiam fugir.
Uma simples operação de somar diz-nos que: 180.000 + 500.000 + 72.000 + 40.000 + 60.000 = 852.000 judeus.
Menos de um milhão. E nem vamos descontar os que fugiram.
De onde vieram os outros?
Como é que se chega a um número 8 vezes maior?

10% de 6 milhões são 600 mil, o que me parece já um número credível, dada a logística disponível e o tempo que durou a operação «solução final».

Mesmo assim, 600 mil vítimas foram alvo de um crime de proporções épicas só comparável com a chacina de inocentes em Hiroshima e Nagazaki.
Ainda mais quando Hitler já se tinha suicidado e a Alemanha tinha capitulado há mais de 3 meses...
Disto é que ninguém fala.
Porquê?

Porque se pulverizaram 500 mil pessoas, civis, mulheres, velhos e crianças, 3 meses depois da Alemanha se ter rendido e apenas meia dúzia de kamikazes - meras moscas contra couraçados que nem sequer conseguiam atingir (como demonstrou o Missouri) - sem combustível nos aviões, tentavam o impossível?

A esta questão é que eu gostava que alguém me conseguisse responder...

4.10.2006

Parabéns, Itália!


O povo Italiano recusou que a alta finança continuasse a controlar a política em Itália.
O inefável Berlusconi acaba de ser derrotado nas eleições.
Romano Prodi será o próximo primeiro ministro da mais velha democracia representativa do mundo.
Parabéns pelo V. discernimento e pela V. luta contra a opressão económica, Itália.
Por aqui, apesar de se auto-denominar de «esquerda», continuamos com um governo totalmente ao serviço dos Berlusconis europeus e americanos.
Chegará também o nosso momento de Libertação, é certo.
Não por via da revolta da Inteligência popular - porque este povo tudo aguenta e a tudo amocha - mas por via da falta de dinheiro para que as famílias continuem a ter o mínimo que comer.
O nosso segundo 25 de Abril está próximo.... Sócras e os seus grandes compinchas financeiros que se cuidem, que a coisa vai começar a não correr nada bem...

4.08.2006

Por uma Angola livre do despotismo de José Eduardo dos Santos





«Por uma Angola livre e não humilhada.
Numa Angola que não será liderada por José Eduardo dos Santos e o seu séquito. Contra os portugueses que continuam a insistir em partilhar a mesma mesa com homens de Angola; homens que vilependeiam Angola e a destróiem.»

José Eduardo Agualusa escreveu na Pública de 11/1/2004, a seguinte crónica:
«A POLÍTICA REAL DOS CASAMENTOS»


Na generalidade dos países a classe política divide-se entre o governo, os apoiantes do governo e a oposição. Em Angola não existem apoiantes do governo. Aliás, a bem dizer, nem sequer existe um governo. Todo o mundo está na oposição. A oposição critica os ministros e o Presidente. Os ministros criticam-se uns aos outros publicamente e, em privado, criticam o Presidente. O Presidente critica a oposição, critica os governadores, critica os ministros todos. Também não há aquilo a que noutros países se chama Estado. Num gesto de extraordinária clarividência política José Eduardo dos Santos tratou, ao longo destes últimos anos, de extinguir o Estado. Em lugar das instituições do Estado existem hoje uma série de prósperas empresas privadas, nas áreas da educação, higiene, comunicação, saúde e segurança, ligadas ao Presidente, à família presidencial, designadamente à Primeira Filha, ou a pessoas da sua maior confiança. Não havendo Estado fica o país protegido desse mal tão comum a sul do equador - os Golpes de Estado. Foi, estou em crer, um golpe de génio.

Li atentamente alguns dos artigos que apareceram na imprensa portuguesa criticando, ou apoiando, o primeiro-ministro Durão Barroso por ter aceite abrilhantar, em Luanda, o casamento de uma das filhas de José Eduardo dos Santos. Vários articulistas manifestaram a sua indignação pelo facto de um presidente de esquerda desperdiçar tanto dinheiro numa cerimónia de casamento, quando, em Angola, milhares de pessoas sofrem com fome. Este qualificativo, "de esquerda", há-de ter irritado Eduardo dos Santos mais do que a fome alheia. Caramba!, ele deu-se ao trabalho de organizar aquele faustoso casamento, trazendo de Lisboa todo o jet-set português (seja lá o que isso for) precisamente para se demarcar da esquerda. Erros da juventude. O primeiro-ministro Durão Barroso sabe bem do que falo. É verdade que a bandeira angolana, ainda em vigor, apesar do parlamento ter já aprovado uma outra, exibe símbolos, digamos, comunistas. Mas isso é puramente uma questão de amor à moda, é fashion - soviet chic. Também se diz que se a nova bandeira ainda não tremula ao vento, nos edifícios públicos, é porque se torna cada vez mais difícil distinguir os edifícios públicos dos privados.

Já o director do Expresso, José António Saraiva, entendeu apoiar o primeiro-ministro português. Na opinião de Saraiva o importante é que Portugal mantenha boas relações com Angola, país com o qual terá muito a lucrar num futuro próximo, e a forte amizade que liga Durão Barroso a José Eduardo dos Santos é a melhor garantia de que esse futuro de bons negócios está assegurado. O director do Expresso só lamenta que o Presidente angolano não tenha mais filhas em idade de casar - e já agora, acrescento eu, dispostas a unirem-se a cidadãos portugueses. É todo um original projecto político que aqui está desenhado. George Bush, por exemplo, teria feito melhor em casar a sua filha com um dos filhos de Saddam Hussein. Evitava-se o derramamento de sangue, bem como todos os custos políticos e económicos resultantes de uma guerra em larga escala, e assegurava-se na mesma o acesso ao petróleo iraquiano.

Se José António Saraiva lesse o Expresso saberia que existe em Luanda uma aguerrida imprensa independente. Se lesse essa imprensa saberia que o casamento da filha de José Eduardo dos Santos foi muito mal recebido pela generalidade dos angolanos. Acreditará José António Saraiva que é possível a Portugal manter boas relações com Angola, a longo prazo, desrespeitando e humilhando os angolanos?

Mais tarde ou mais cedo haverá eleições em Angola. O partido no poder não tem já forças para contrariar o processo de democratização. Enfrenta, por um lado, o renascimento da sociedade civil. Confronta-se, por outro, com as correntes renovadoras dentro do seu próprio seio, e se é certo que estas ainda se mostram muito frágeis, também me parece óbvio que começam a perder o medo. Até lá - às eleições - muita coisa pode ainda acontecer. Em democracia nada é certo. Os amigos de Durão Barroso, por exemplo, podem perder o poder.

Salvo uma ou outra honrosa excepção os dirigentes políticos portugueses não gozam em Angola de grande respeito. Nunca souberam dar-se ao respeito. A impressão que os angolanos têm, e que artigos como os de José António Saraiva reforçam, é que os dirigentes e empresários portugueses estão apenas interessados em bons negócios. A isso não se chama amizade.»

4.07.2006

O fascismo Socrateiro


Por todo o país, de entre as mentes não conspurcadas e alienadas pelo espirito fascizante de Sócras surge um côro de protestos contra a sua intenção salazarista de controlar as polícias.
Se restassem dúvidas sobre a constituição de PIDES secretas, essa teoria acaba de ganhar muito mais credibilidade depois da indignidade a que o novo ditador português acaba de submeter a judiciária.
Guterres tinha avisado internamente: «Sócrates é mais perigoso do que se pensa...».
E, de facto, quem dá mostras diárias da sua pobreza intelectual e de um autoritarismo mal disfarçado completamente fora de moda, não pode senão causar náuseas a quem, como eu, já o topou à légua.
Ontem, à partida para Angola, Sócras aparece num «Mercedes topo de gama com matrícula do mês passado» - SIC Noticias.
Para este indescritível Sócras, a austeridade não passa pelo governo nem pelas suas comodidades topo de gama.
Um pobre.
Um triste e desgraçado pobre a quem a Alta Finança dá um chupa-chupa...

3.28.2006

Sócras espantado com o ensino na Finlândia.


Sócras ficou muito "impressionado" com sistema de ensino finlandês.
Levaram-no a visitar uma escola e o tuga, que nunca tinha visto nada na vida, nem nunca lhe passou pela ideia estudar o que se passa noutros países, passou-se literalmente com o que viu.

1) A Escola Básica de Ressu tem 400 alunos, com idades compreendidas entre os 7 e os 16 anos, e 37 professores no quadro.
Um ratio professor/aluno de quase 1 para 10. Muito parecido com o que se passa por cá. Na minha Escola o ratio até é superior.

2) A autarquia suporta todos os custos de funcionamento, incluindo livros e outros materiais escolares.
Por cá há escolas em que só há um compasso para o quadro e está partido desde o princípio do ano.
Um compasso partido para 18 turmas, 3 das quais do 9º ano que vão fazer exame em Junho.

3) O primeiro-ministro quis saber se os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem são ajudados com aulas extra, mas os responsáveis da escola explicaram-lhe que esse tempo lectivo suplementar era considerado desnecessário.
Por cá, mais de metade dos alunos são considerados «com necessidades educativas». Perde-se, por isso, mais tempo com os alunos com dificuldades (há turmas com 18 alunos em grandes dificuldades, num total de 24) do que com aqueles que estudam. A esses não se liga.
Baixa-se a fasquia até que os calinos, que nem sequer sabem que matérias se deram nas aulas, consigam ter positiva.
Qualquer dia pergunta-se-lhes apenas o nome e, se acertarem, passam.

4) Depois de ler uma história em inglês, o professor pediu às
crianças para abrirem os respectivos computadores e seleccionarem um programa informático de aritmética - apelo que foi cumprido imediatamente.

E cá? Com as escolas e bibliotecas escolares completamente equipadas com computadores e net, se se pedir aos alunos que abram um programa, eles só conhecem um - o msn.

5) Nas conversas que teve na escola, José Sócras ficou ainda mais espantado quando ouviu que na Finlândia «os melhores alunos querem ser professores».
Não é por causa do salário, que não é muito elevado.
É que «ser professor é sinónimo de grande respeitabilidade social», explicou uma das directoras da Escola Básica de Ressu.
E por cá? Os pais metem cunhas aos professores para que passem os seus filhos no final do ano «para que cheguem a ser, ao menos, professores»!

Não basta ficar impressionado, Sócras: é preciso perceber porquê...

3.24.2006

Faz hoje 2 anos que o SNS deixou morrer displicentemente João Tilly dos Santos


Dois anos depois continuamos sem saber o resultado da autópsia.
Um homem foi deixado à sua sorte nos corredores dos hospitais e acabou por morrer.
Ainda ninguem pagou por isso.
Outros podem ter já morrido vitimas da mesma displicência e "deixa andar" das mesmas equipes clínicas.
Por isso aqui deixo, de novo, a história do fim da vida de João Tilly dos Santos.
Um português inteligentíssimo que teve a percepção de que ia morrer por inépcia dos médicos que o "assistiram".
Eu é que nunca acreditei nisso.
Mas aconteceu.
Para que nunca mais aconteça.
Em memória do maior damista e acordionista que estas paragens alguma vez viram.


A HISTÓRIA
Do Hospital de Seia, enviam-no para o de Coimbra com suspeitas de pneumonia ou enfarte de miocárdio.
Do Hospital de Coimbra devolvem-no para o de Seia muito pior de saúde do que lá chegou e sem nenhuma razão aparente. Os sintomas tinham-se agravado sobremaneira, entretanto.
Do Hospital de Seia enviam-no para o da Guarda porque cá não há Pneumologia
Do Hospital da Guarda enviam-no novamente para o de Coimbra, sem sequer entrar na Pneumologia e sem conhecimento dos familiares.
Do Hospital de Coimbra enviam-no... para a morgue.

E tudo isto sem um único tratamento, a não ser... soro!

Fica aqui o relato dos últimos 5 dias de vida do meu Pai que, acredito, possam servir a alguém que passe pelo mesmo.
Quanto mais não seja para evitar que o Serviço Nacional de Saúde mate por absoluta negligência um seu ente querido, tal como fez com o meu.


Sexta - feira, 19 (dia do Pai) - o meu pai sente-se subitamente mal com problemas intestinais.
Nada que justificasse uma ida ao hospital, pensou ele.
E foi para a cama mais cedo.


Sábado, 20 de Março - O meu irmão leva o meu pai e a minha mãe ao Hospital de Seia, já que entretanto tinham-lhe surgido umas dores gástricas a nível do esófago.
Cada vez que engolia eram dores insuportáveis que mal o deixavam respirar.
Foi medicado e fui buscá-los ao Hospital de Seia por volta das 7 da tarde. Entrou no carro pelo seu pé.
Fomos à Farmácia aviar a receita e levei-os a casa.
A noite passou-a mal.
As dores não desapareciam e agora surgia a dúvida se não seria também uma infecção na traqueia, já que até a inspiração do ar lhe causava pena.
Decidiu não ir novamente ao Hospital porque a medicação «ainda não teria tempo de começar a fazer efeito».
Combinou-se que iria no dia seguinte, segunda-feira, se não melhorasse entretanto.
O certo é que nessa mesma noite, por volta das 00:30h teve que se chamar uma ambulância, porque o meu pai já não podia com dores.
No Hospital ficou a soro.
Fez análises de manhã, em que lhe diagnosticaram vestígios de enfarte de miocárdio e uma pneumonia.
Enviaram-no para os Hospitais da Universidade de Coimbra - a única coisa que foi bem feita em todo este processo.
Esse favor devemos à Dra Margarida Ascensão e aqui lhe deixo os meus (e os dele, que muito insistiu em vida para que lhos desse) profundos agradecimentos.


Segunda-feira, 22 - O meu pai chega a Coimbra cerca do meio dia. Eu, que só tomo conhecimento dessa transferência e do seu preocupante diagnóstico por volta dessa hora, sigo de imediato para lá com a minha mãe.
Estivemos nas Urgências desde as 14:30h repetidamente perguntando pelo seu estado de saúde até às 17:00h.
Primeiro disseram-nos "que estava bem disposto" mas em observação.
Que perguntássemos passadas 2 horas, outra vez. O que fizemos.
Aí, a informação já foi outra: que o seu estado era muito preocupante e apresentava um quadro grave de provável pneumonia ou enfarte de miocárdio, o que já sabíamos desde Seia.
Que ia ficar internado de certeza. Claro que já o suspeitávamos, dado o diagnóstico de Seia.
Perguntámos se era preciso ir buscar a roupa que estava no carro e a enfermeira disse que não.
Que «ele não se podia levantar», que estava «prostrado» e que «não acreditava que pudesse levantar-se nem sequer para ir á casa de banho.»
Fiquei preocupadíssimo e pedi para mo deixarem ver nem que fossem só 5 minutos.
Que não, «nas Urgências não se podem ver doentes».
Mas após a minha insistência e quando lhe dissemos que «somos de Seia - a 100 Kms de distância - e que assim sendo iríamos embora, porque não estavamos ali a fazer nada», lá condescendou a deixar-me ir «dar-lhe uma palavrinha de não mais que 5 minutos e sair de imediato».
Assim fiz.
Entrei e depois de mais um tempo de espera, lá encontro o meu pai deitado numa maca num corredor, ao pé de tantos outros.
A receber soro. Como em Seia.
Ficou radiante por me ver e disse-me logo:
« - João: isto aqui é um matadouro!»
«Ninguém quer saber dos doentes. Olha que estou há horas a pedir uma pinga de água para molhar os lábios e ainda não ma deram. Já não sinto os lábios nem a boca de ressequidos que estão.»
Dirigi-me a um auxiliar que foi muito amável (tive sorte) e me arranjou um copo de água "choca", segundo o meu pai.
Assim que a bebeu, rejeitou-a logo. Não conseguia manter nada no estômago. Nem sequer água pura.
Enquanto era acometido dos vómitos chamei por um médico ou alguém num grupo de 7 ou 8 pessoas entre médicos e enfermeiros que estavam a cerca de 6 metros em amena cavaqueira e de costas para nós.
Um deles virou-se, viu o meu pai aflito e perguntou:
- Está a vomitar?
Respondi: está sim. Está aflito. Não podem ajudar?
«Está bem» disse e voltou novamente as costas, continuando a conversa com os colegas.


Eu nem queria acreditar naquilo!
Mas como entretanto ele ficou melhor, parando com os vómitos, controlei-me e decidi chamar um outro médico para lhe dizer que o doente já não comia nada desde sexta-feira (há 4 dias) e que devia ter algum problema gástrico.
Transmiti isso a um médico jovem que entretanto se aproximou da maca.
Disse-me que o meu pai ia ser visto, mais tarde, por um especialista que devia estar a chegar.
Passadas 3 horas apareceu um médico ainda mais jovem que lhe perguntou o que tinha.
O meu pai começou a explicar tudo, com grande esforço, porque já mal conseguia falar, mas o médico interrompeu-o passados 10 segundos de explicações e, olhando apenas para os papéis que tinha nas mãos, lhe disse, no tom mais seco que já ouvi a alguém:
- olhe, isto é assim: Eu devia fazer-lhe uma endoscopia, mas como o sr tem aqui suspeitas de enfarte de miocárdio não lha posso fazer. Virou as costas e foi-se embora.
Fiquei a olhar para o meu pai e ele para mim, atónitos.
E agora?
Ao que o primeiro médico jovem me respondeu que «em princípio iam mandá-lo de volta para Seia».
«- Mas sem poder comer nada? perguntei.
Então não vêem o que é que ele tem, que o impede de engolir nem que seja uma gota de água»?
Não obtive resposta.
O médico encolheu os ombros e foi-se embora.


Passado mais uma hora, uma profissional de bata larga, aberta e esvoaçante de cor verde (não sei se seria médica) jovem e divertidíssima, que esteve sempre a rir-se e às gargalhadas com os colegas, dirigiu-se ao telefone e perguntou se havia alguma ambulância para Seia.
Eram 19 horas. Não sei o que lhe responderam, mas ela, gargalhando sempre, gritou:
- Que sorte! E depois de mais de cerca de 5 minutos de conversa de circunstância sobre saídas à noite e marcações de jantares com a pessoa do outro lado, desligou o telefone, sempre a rir.
Estava visivelmente satisfeita.
Ainda bem, - pensei eu. É sinal que as coisas lhe estão a correr bem.


Passou-se uma hora.
Eu perguntei de novo a um médico que passava se iam mesmo enviá-lo para Seia, porque o meu pai já tinha muita dificuldade em respirar e dizia que lhe doía tudo.
Disse-me para esperar.
Às 20 horas e 15 minutos, a médica das gargalhadas, sempre sorrindo, telefonou outra vez.
«Ainda está aí a ambulância para Seia»?
Ficou mais séria. Percebeu-se nitidamente que já não.
- Mas eu tinha-a pedido... balbuciou, agora sem rir.
Acabou a conversa e escreveu num papel aos pés da maca do meu pai:
«Transporte para Hospital de Seia pedido às 20 horas».
Continuei à espera, ao pé dele, e cerca das 21 horas comecei a passar-me da cabeça e tirei várias fotografias, com o telemóvel, ao papel e ao estado em que o meu pai estava.
Praticamente já não falava.
Aproxima-se de mim um médico e convida-me a sair, «para evitar confusão». Não havia qualquer confusão.
Em toda a tarde do dia 22 não tinha entrado nenhum doente em estado grave, pelo que o mais grave seria mesmo o meu pai.
Mas acatei a ordem e saí, informando que ficava à espera do doente nas urgências.
Mal tinha chegado lá fora ouço chamar ao microfone «os acompanhantes de João Tilly dos Santos».
Voltei para dentro a correr.
Ao chegar lá, novamente, aproxima-se de mim um médico que se identificou como sendo o chefe da equipa e me disse que «lhe tinham dito que eu andara a tirar fotografias ao banco, o que era muito desagradável.»
Eu respondi que tirei fotografias ao meu pai, apenas, e mostrei uma delas.
Perguntei se o meu pai sempre ia para Seia ao que ele respondeu que não sabia (!), e perguntou-me a mim se o cardiologista lhe tinha dado alta (!!!).
Fiquei embasbacado e respondi que não sabia mas que «era o que estavam a dizer (a médica das gargalhadas ao telefone)».
Disse, então, que devia ir para Seia, devia, mas nitidamente sem saber do que estava a falar (por não conhecer absolutamente nada do quadro clínico do doente).
Vim-me embora e fiquei à espera dele, cá fora.
Isto eram 21:10h.


Para abreviar a história, informo que a ambulância partiu do Hospital com o meu pai dentro às 01:10h da manhã.
E o mais grave é que a ambulância que o trouxe, estava estacionada à porta do Hospital há, pelo menos, 4 horas.


Seguimos a ambulância até Seia, onde chegámos cerca das 2:15h da manhã.
O meu pai estava no pior estado em que o vi na minha vida e apenas arranjou força para me dizer: «foi a pior viagem da minha vida. Não aguento outra».
Mal sabia ele que iria ainda fazer mais duas.
Entrou para dentro do hospital de Seia e duas enfermeiras disseram à minha mãe que o não podia acompanhar a partir daí e que tinha que se ir embora.
Fomos.
Estávamos arrasados fisica e psicológicamente (como estaria o meu pai...)




Terça- feira, 23 de Março
O meu pai é enviado para a Guarda às 5 da tarde com o pretexto de Seia não ter Pneumologia.
Lá foi.
Eu ainda me meti no carro para o acompanhar, mas como a minha mãe foi com ele na ambulância, combinei com a minha filha ir vê-lo na tarde do dia seguinte - quarta-feira, que eu tinha a tarde livre, escusava de faltar às aulas. Ela concordou.
Mal sabíamos nós que não mais o veríamos vivo.
À saída, o meu pai ainda teve a lucidez de se despedir (definitivamente) dela e da mãe, dizendo claramente: «para a Guarda não quero ir, porque eu vou morrer lá.»


Quarta-feira 2 de Março.
Estive desde as 9 da manhã ininterruptamente (de 5 em 5 minutos) a tentar ligar para o hospital da Guarda.
Primeiro para a Pneumologia - consegui ligação às 10:30h da manhã e de lá disseram-me que ainda não tinha dado entrada.
Devia estar ainda nas urgências.
Liguei para o geral. Informaram-me que não podiam ligar para as Urgências, que tentasse as Relações Públicas.
Consegui ligação às 11:45h sensivelmente.
Informei que tinha estado toda a a manhã a tentar ligar e que por favor me desse a informação pretendida agora que tinha conseguido, para não me voltar a acontecer o mesmo.
Respondeu-me uma senhora muito simpática a dizer que ia ver, e que depois me ligava sem falta nenhuma, para o que lhe dei o meu número, agradecendo muito o obséquio.
Não mais me ligou.


Às 12:30h, hora a que saí das aulas, tinha à minha espera a minha filha e a mãe, que me deram a pior notícia do mundo.


Tal com o ele tinha previsto, tinha efectivamente morrido... mas em Coimbra!?

Meti-me no carro como um autómato e saí para Coimbra e durante a viagem, em telefonemas múltiplos tentei perceber o que se tinha passado.
Só em Coimbra, em conversa com a médica (brasileira) que lhe prestou a última assistência, percebi.
Tinham-no enviado do hospital da Guarda para o hospital de Coimbra, onde chegou cerca das 3 da manhã. Sem passarem cartão aos familiares.
A médica não soube explicar o que ele tinha, porque não descobriu qualquer relatório médico na recepção e apenas me disse que quando ela entrou, às 10 horas, recebeu o doente vindo da cirurgia (!), mas onde nada lhe tinha sido feito (!!).
Estava já em estado crítico e às 10:30h teve a primeira paragem cardíaca.
Foi reanimado 3 vezes, até que o coração deixou de bater às 11 horas.
Causa da morte: DESCONHECIDA.


Portanto:
Não se sabe porque foi enviado para Coimbra de madrugada sem o conhecimento dos familiares.
Não se sabe o que lhe fizeram na Guarda - presume-se que nada pois nem chegou a entrar na especialidade para a qual foi enviado.
Não se sabe o que lhe fizeram em Coimbra até às 10 da manhã - durante as horas em que supostamente terá estado na cirurgia. Presume-se que nada, tal como durante todo o dia 22, pois nada consta do seu relatório médico.
Sendo certo que não existem relatórios de medidas tomadas em nenhuma circunstância em Coimbra até às 10 da manhã, sou forçado a concluir que subsiste durante 3 dias seguidos negligência grave, a somar à negligência dos transportes sucessivos a que foi submetido um doente em estado de debilidade extrema.


É claro que não é o soro que cura um doente que vem diagnosticado com possibilidade de pneumonia - à qual não foi tratado - ou enfarte de miocárdio - ao qual também não foi tratado.
Nada lhe fizeram. A não ser deixá-lo entendido numa maca num corredor dos HUC a definhar visivelmente.
E a mim, questionarem-me por ter tirado fotografias.
Se usassem a mesma diligência para tratar os doentes, o meu pai estaria vivo.


Na participação que fizemos no DIAP eu e o meu irmão "exigimos" a realização da autópsia, corroborando o pedido da médica que ficou extremamente chocada quando lhe dissemos que o doente tinha saído dali, daquele mesmo serviço, meras 27 horas antes.

Não sabia! Não tinha qualquer registo nesse sentido!

E que, depois disso, o doente já tinha feito mais de 320 quilómetros e corrido mais 2 hospitais até chegar novamente ao ponto de partida, numa dança macabra entre hospitais que terá ajudado bastante ao trágico desfecho.

O Ministério Público acedeu e a autópsia foi realizada no dia 25 às 11 da manhã.
Aguardam-se as conclusões para se saber aquilo que nenhum médico quis saber, pelo menos em Coimbra: De que padecia aquele doente?

Assim se acaba uma vida, inglória e desnecessáriamente, por um acumular de negligências, quando bastava um pouco de cuidado de apenas um médico ou enfermeiro para que tivessem tido o bom senso de não enviarem o doente, naquele estado, muito mais debilitado do que entrou, com dores muito mais agravadas e sem poder ingerir nem sequer uma gota de água, de volta para Seia.

Por muito que paguem esta negligência, nada fará ressuscitar o meu pai.

Escrevo o que aconteceu para alertar quem ler esta triste história para o estado a que chegaram os Hospitais em Portugal.

Para terminar, o pior: toda a gente conhecida que eu lá tinha, no Hospital, me perguntou: mas porque é que tu não me deste um toque? Eu acompanhava o teu pai e a coisa de certeza que não acabava assim...


Isto é que dói.
Descobrir que a medicina, no Serviço Nacional de Saúde, só funciona minimamente quando há "conhecimentos" e "amizades" entre o corpo clínico.

3.20.2006

3 anos depois da invasão... por lapso


50 mil mortos entre a população civil do Iraque e mais de 4 mil entre os soldados invasores são as contas provisórias da tragédia que George Bush levou àquelas gentes.
Já pediu desculpa, dizendo que as informações que tinha estavam TODAS erradas.
Todos o sabíamos e Bush foi o primeiro a sabê-lo até porque foi assim que as encomendou.
Era preciso um pretexto para derrubar Saddam e para tomar conta do imenso mar de petróleo que jaz sobre aquela terra martirizada.
Correu mal. É certo que capturou o ditador, mas está tudo pior que antes.
Aquele país simplesmente não existe. A guerra civil aproxima-se a passos largos entre as duas etnias principais fruto do recrutamente maioritário de uma delas para a «polícia» do Iraque, levado a efeito pelos americanos.
As torturas nas prisões, de que o programa 60 minutes da NBC fez esta semana eco, demonstrando que toda a gente (até Bush) sabia perfeitamente dessas práticas, porque elas eram formalmente ordenadas desde o topo da cadeia de comando, acaba de lançar por terra os últimos e frageis argumentos de uma administração americana corrupta e selvagem, como não se suspeitaria pudesse existir no limiar do sec XXI.
E a culpa não pode ser assacada a Rumsfeld ou a

Sobre o falso pretexto da Invasão, toda a europa livre o afirmou, centenas de analistas independentes em todo o mundo escreveram profusamente sobre esse embuste, denunciando as verdadeiras intenções do genocida americano.
Ontem, Hugo Chavéz chamou Bush de «cobarde, de louco, de psicopata, de bêbedo e de assassino» directamente e por várias vezes em directo na televisão Venezuelana.
Bush não responderá, como todos os cobardes, dando plena razão a Chavéz.
50 mil mortos não serão esquecidos por nenhuma das partes.
Nem por nenhuma das famílias.
O Mundo está muito mais inseguro do que antes de Bush ter tomado posse.
Por sua culpa e sua tão grande culpa.

3.17.2006

Desaparecida


Maria Cecília está desaparecida desde o dia 26 de Fevereiro.
Por favor se alguém tiver visto, é favor informar
21 782 69 408
Pode ligar a cobrar.
Obrigada.
Marta Alexandra Sá Oliveira Pinho

3.10.2006

Demasiado ocupado com o vídeo digital



Peço desculpa aos meus leitores por, ultimamente, ter escrito pouco ou quase nada. Ando demasiadamente ocupado com 2 projectos de vídeo digital (DVD). E ambos para Manteigas.
Estou a terminar um projecto lindíssimo sobre a vida das trutas para o Viveiro de Manteigas.
Muito bonito e didático.
É caso para dizer que tive que chegar aos 45 para ir às trutas...

2.20.2006

Limpa Neves avariado "corta" os acessoa à Serra e indigna comerciantes do Sabugueiro.






O último domingo, 19/02, foi um dia para esquecer na Aldeia mais alta de Portugal, que, nesse dia, parecia uma aldeia fantasma.
Poucos foram os aventureiros que conseguiram chegar ao Sabugueiro, já que a estrada de acesso, desde Seia, foi cortada logo no princípio da manhã, pela GNR, que, à fonte das 4 bicas, obrigava a recuar os milhares de condutores que, durante toda a manhã, pretendiam dirigir-se à Serra.
Nesse domingo, a Serra terminou antes de começar para todos aqueles que a procuraram, e logo naquela que é a sua Porta de Entrada: em Seia.
Um súbito nevão que caiu ao princípio da manhã, aliado à muito criticada falta de limpa-neves, motivou o referido corte total da estrada de acesso à Torre, logo a partir da base.
Milhares foram os automóveis e centenas os autocarros que se concentraram, consequentemente, na nossa cidade. Um movimento como há muito não se via.
Mas um movimento negativo de pessoas tristes e compreensivelmente mal humoradas.
Muitos procuraram outras entradas via Guarda e Covilhã.
Esses tiveram sorte porque essas entradas estiveram sempre desimpedidas.

Os comerciantes do Sabugueiro é que não se resignam e acusam o Instituto de Estradas de Portugal de inépcia pelo facto de, desde as 8 da manhã até ao meio dia, não se ter visto um único limpa-neves a limpar a estrada.
Ao que apurámos, o único limpa neves de serviço no centro de Limpeza de Neve do Sabugueiro avariou e, pelos vistos, não foi possível repará-lo a tempo de abrir a estrada ao turismo.
«Perderam-se milhares de contos, hoje» queixava-se um comerciante local.
«Como é possível que durante uma manhã inteira de domingo a estrada não fosse desobstruída? - questionam.
«Bastava uma passagem do limpa neves, já que a a neve até era pouca, alguns carros furaram a barreira e chegaram cá bem»... queixavam-se.

Luis Mestre, o proprietário do restaurante Miralva, perguntava «para que serviu o terreno que a Junta de Freguesia ofereceu ao Centro de Limpeza de Neve do Sabugueiro, se no dia em que é mais preciso (domingo) o limpa neves não funciona».
«O que se passa com a manutenção dos limpa neves?» - pergunta.
«Será que o IEP não tem dinheiro para fazer uma manutenção capaz ao equipamento que é pago por todos nós? Como é que os limpa-neves podem avariar no primeiro dia em que são mais precisos e depois de tantas horas ainda não estão reparados?»

Os comerciantes em geral estão revoltados com o IEP mas não só.
Também com a Protecção Civil «que não se vê» e com o Presidente da Câmara, que nas eleições anteriores (há 4 anos) prometeu dotar o Sabugueiro de meios que propiciassem o seu desenvolvimento e que «iria dar uma lavagem de cara ao Sabugueiro para o tornar mais atraente».
A verdade é que - dizem - tudo continua exactamente na mesma, mais de 4 anos depois.

A grande questão é: os milhares de turistas que neste domingo se sentiram defraudados ao percorrerem, ao engano, centenas de quilómetros para virem à Serra, voltarão cá?
Seguramente não entrarão mais pela porta de Seia... procurarão outras, para evitarem cair no mesmo erro.
E quem paga somos todos nós.